sábado, 10 de setembro de 2011

Viva o Fracasso!

Sou mesmo um fracassado. Isto admito porque não correspondo aos padrões do mundo capitalista. Minha mão de obra é totalmente desqualificada para aquilo que se espera aos interesses capitalistas. Não posso contribuir para que me suguem ao ponto de acumularem riquezas suficientes às custas de meu trabalho alienado. Sugam sua alegria de viver, suas forças, sua mentalidade, “adestra” seu comportamento para uma espécie de tipo ideal capitalista de subserviência que irá proporcionar o bem-estar aos donos do poder; bombardeia – através da mídia, ciência e até mesmo da religião – sua psiquê ao ponto de estabelecer como verdade absoluta o fato de que se render aos interesses capitalistas vão torná-lo feliz através da recompensa financeira (que muitas vezes não corresponde ao esforço realizado).
Preciso passar a minha existência sendo escravo deste sistema? O mundo é capitalista e parece não haver jeito de se livrar desta ilusão. Durante anos o socialismo (assim como o anarquismo, de forma mais radical) tentou vitoriá-lo, mas sem lograr êxito. Não sei dizer se seria diferente com o socialismo, mas quero me ater a pensar somente a realidade – e não hipotetizar “como seria” o mundo com outro sistema. Eu me enxergo hoje, como alguém totalmente despreparado a viver neste mundo, pois não posso dar aquilo que o sistema tanto quer de mim – minha própria vida. Não quero me render a este sistema e não é porque quero medir forças com ele, ou seja, não é uma questão de poder (correlação de forças); mas sim de não tornar infeliz minha passagem neste mundo em nome de um sistema que não se interessa em saber o que ELES podem TE oferecer, mas sim o que VOCÊ pode oferecê-los. Não há reciprocidade de interesses. Eles ditam o que querem e só resta a você concordar – se é que você queira viver dentro dos padrões materiais e éticos estabelecidos por eles.
Somos valorizados pelo que temos. É a lógica do acúmulo. Se quisermos adquirir respeito neste mundo, temos que TER. Até a Ciência está subserviente à logica do acúmulo do saber e do dinheiro. Exemplo disso é que até para se adquirir conhecimento precisamos de dinheiro para adquirirmos as fontes do saber – os livros. E percebam também que, para que o nosso saber seja valorizado e reconhecido pela humanidade, precisa-se estar representado por um diploma, intermediado por uma Universidade. É tudo ilusão. Nas Universidades, vale salientar, seu valor está intimamente ligado à sua produção acadêmica. Quanto mais produz, mais valor você tem. É a lógica do acúmulo na Ciência.
Os grandes pensadores do mundo e suas contribuições teóricas, assim como as grandes descobertas da humanidade, não estavam à mercê de Universidade alguma. Muitos deles nem sequer estavam interessados pelo reconhecimento, pelo contrário, foram presos, torturados e mortos em nome de suas descobertas e pensamentos (ver Galileu e Lutero, por exemplo). Eram livres em seus pensamentos, altruístas em suas descobertas, e esta liberdade os levou a grandes realizações que revolucionaram o mundo.
O SER não passa de uma representação do TER. A lógica do trabalho intermedia os julgamentos. Julgamos as pessoas pelos seus trabalhos. Ninguém mais se interessa pelo seu caráter. Estamos presos a uma lógica destrutiva onde o conceito de felicidade está ligada intimamente ao dinheiro. Até o mundo da Arte está dividida; grande parcela dela está subserviente ao dinheiro. Já dizia Chico Science: “Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro”. A arte radical grita, tentando seu espaço, mas sem sucesso.
Reconheçamos que até o cristianismo dos últimos tempos está totalmente subserviente a esta lógica. Cristo ensinou-nos a não acumularmos riquezas neste mundo; falou-nos que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; falou-nos que devemos negar a nós mesmos; Cristo mesmo foi exemplo vivo de altruísmo; mas isto é ensinado nas igrejas? Talvez. E, se sim, muito pouco. Basta nos lembrarmos de como e graças a quem o capitalismo se desenvolveu no mundo. Cristo não foi contra o trabalho em si, mas o seu uso para fins de acúmulo; e é isto que o capitalismo nos doutrina; é isto que a humanidade persegue com todas as suas forças; é nisto que está ligado o conceito de felicidade; e foi isso que o protestantismo ensinou ao mundo, desvirtuando por completo do cerne do ensinamento do próprio Jesus: “Que todo aquele que Nele cresse, tivesse vida em abundância (…) e não se conformar com o mundo”. Vejo que até para os mais ascetas cristãos, posso ser visto como o maior asceta entre todos (cumprindo com os todos os deveres religiosos exigidos), mas se não trabalhar, passarei a ser visto como um fracassado. Até o conceito de fracasso, para os cristãos de hoje, está intimamente ligado à lógica do trabalho capitalista. O espiritual pouco importa; o que importa mesmo é estar à serviço do capitalismo.
Até o conceito de amor eros está totalmente deturpado. Não conseguimos amar alguém que não esteja à nossa altura (medidos pelo TER material e imaterial). Não queremos passar o resto de nossas vidas com alguém que não possa nos oferecer algo que nos proporcione algum conforto (mais uma vez: material e imaterial).
Não me envergonho em dizer para o mundo inteiro: sou um derrotado (e que seja!). Posso ser julgado como preguiçoso, lunático, utópico, mas, como já dito outrora, o julgamento humano está totalmente alienado à logica capitalista do trabalho, e esta, por sua vez, do acúmulo. Por isso mesmo não me importo. Não me importo em TER, nem mesmo em SER – aos olhos do mundo. Quero ter a sensação de liberdade em dizer na “cara” do povo, que sou um derrotado por não me moldar à lógica mundana e de não compactuar com a mesma; e fitar bem os meus olhos em seus olhos e esperar o olhar confuso, julgador e penalizado, ao mesmo tempo.

Maceió, 10 de Setembro de 2011.
03:13 AM

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pobres Poderes

O artigo e o seu título, é de autoria do jornalista Ricardo Mota. Achei muito interessante e por isso reproduzu-o:

"Que moleque folgado, aquele! Em plena Pajuçara, fez parar o trânsito para que pudesse atravessar a rua. Ao concluir a sua “missão”, sinalizou aos motoristas que estes poderiam prosseguir viagem.

Achei muita graça na cena, imaginando que aquele garoto de rua, “maltrapilho e maltratado”, exerceu ali o seu fugaz poder. E o fez com autoridade, além de um tanto de deboche, o que me agradou mais ainda. Pensei: ele tem consciência do que está fazendo e gosta de fazê-lo (depois, pude observar de longe que ele repetia a ação de quando em vez).

É sedutor o poder, muito já foi dito. Mas acho que ele envolve com mais facilidade os que são fracos. Seja por buscá-lo a qualquer custo, seja pelo desejo mesquinho de consumir as sobras do farto.

As ruínas de uma existência podem surgir imediatamente após a conquista do troféu – pior ainda, se é o poder político. Pude acompanhar de perto, lamentando, a destruição de uma vida interessante de uma pessoa idem.

De sólida formação intelectual e profissional, ela conseguiu o que buscou quase que desesperadamente. Pouco tempo depois, me dizia aos prantos, havia descoberto o fundo do poço – a sua sensibilidade apontava.

E aí? O esforço sobre-humano que havia feito para chegar ao topo fez em dobro para lá permanecer. É a lei: perder é pior que não nunca ter tido.

Ademar de Barros, criador do “rouba, mas faz”, foi indagado, certa feita, por que gostava tanto de ser governador de São Paulo. Respondeu com uma pergunta:

- Sabe lá o que é passar quatro anos sem pegar na maçaneta de uma porta?

Pois é, eis uma das grandes confusões involuntárias e previsíveis dos “poderosos”: entendem bajulação como respeito ou admiração, puro interesse como amor, e por aí vai.

Aos que estão dispostos a conquistá-lo, é preciso saber: estar no poder é renunciar, quase sempre, à possibilidade de vir a ter uma nova amizade para valer, verdadeira. Se já tinham amigos antes da subida, que os conservem tanto quanto puderem – terá sido esta a melhor obra de suas vidas.

Só um amigo de verdade é capaz de apontar a falha “invisível” – mesmo que clamorosa -, pôr o dedo na ferida sem temer o grito do outro. Quem, estando alguns degraus acima, há de deixar aberto o canal da crítica ou até mesmo da autocrítica? A humildade morre com o humilde.

Mal comparando, o poder se assemelha à Caixa de Pandora. Mas com uma fundamental diferença: em vez da esperança, o que nela restará depois de aberta será uma imensa solidão."

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Uma Breve Análise das Três Décadas.

Analisando bem as exatas três décadas de vida hoje, assim como qualquer outro, tive altos e baixos. Na verdade não estou como gostaria de estar. Pensava eu chegar nesta idade com uma estabilidade financeira que me impulsionasse a sonhar em ter alguns bens à longo prazo. Não posso. Pelo medo, fruto da inutilidade pela qual sinto. Sinto-me um completo inútil em meu emprego, sem falar que não gosto nem um pouco de estar aqui. É um trabalho que não me causa estresse – como no meu antigo emprego –, porém, a sensação de inutilidade é extrema. Sem contar que a minha frustração crescia a cada ano de vida. Desde o ano passado, quando minha auto-estima cresceu, que resolvi arriscar – em meio ao medo – e dar uma guinada na vida: casei, estou fazendo um curso de idiomas, resolvi terminar o “interminável TCC” (das frustrações, essa é o 2ª que mais me envergonho, perdendo apenas para o fato de nunca ter passado num concurso), e pretendo, como diz meu amigo Julio, não fugir mais dos “antidepressivos”, ou seja, seguir carreira na área da reflexão. Acho que realmente tenho um viés acadêmico, embora meu medo tivesse me tirado essa vocação. Pois bem, fiz um plano de 5 anos na minha vida; lembra um pouco da máxima de Juscelino Kubitschek : “50 anos em 5”. Pretendo, no final destes 5 anos, já estar casado (como já estou), terminar meu curso de idiomas e terminar meu mestrado. Depois, faço planos para mais 5, sem nenhum problema com a idade – vale mais o meu estado de espírito. Espero em Deus realizá-lo.
A minha vida sempre foi marcadao pelo melancolismo. Lembro-me que, desde criança, quando minhas vontades não eram realizadas, recolhia-me a pensar em minhas limitações, do porquê não ter consguido o que queria. Esta característica me acompanhou – e acompanha, hoje em menor grau – por muito tempo. Tenho uma tendência violenta à melancolia e a consequente inércia. Nesta semana, recebi um e-mail cômico de uma colega, com uma foto de um belo cavalo amarrado a uma cadeira de plástico, e o seguinte dizer: “às vezes, nossas amarras são apenas mentais”. Pus-me a refletir, e ver que se trata de uma verdade. Será que minhas “amarras mentais” me fizeram não ir adiante todo este tempo? Trago em minha história muitas frustrações, dentre elas, ter desistido do curso de Agronomia, por medo de uma única disciplina. Lembro-me que o medo foi tão grande que cheguei a fazer uma prova final desta disciplina e sequer tive a curiosidade de ver a nota. Desisti do curso sem pestanejar. Não conclui meu TCC até agora, também por medo. Mas coragem não é ausência de medo, mas sim o seu controle. Então, corajoso é o que não sou, pois nunca o controlei. Tenho pretensos planos para estes cinco anos. Se conseguirei obter êxito, não sei, só sei que tenho que seguir adiante, aos trancos e barrancos, sempre respeitando minhas limitações – que são inúmeras!
Chego aos 30, agradecendo pela boa saúde, pela realização do casamento, pela minha família, pelas inesgotáveis graças de Deus – de todos os tipos imagináveis e inimagináveis –, pelo perdão dos pecados, mas não celebro muito na área profissional. Mas tudo bem, enquanto há vida, há esperança – e isso já é um salto enorme na minha vida, tendo em vista que no passado tinha a tão estimada “desesperança nossa de cada dia” por perto e sempre. Ser convencido de que Deus é um Deus pessoal já me faz muita diferença, já me faz ter esperança no presente e no futuro. Hoje, sinto-me um pouco envergonhado por não ser levado tão a sério, mas ao mesmo tempo sei que minhas atitudes levaram a essa representação social, dos que me cercam mais imediatamente.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Uma Breve Análise da Realidade

Sentimento é algo enganoso e fugaz. O Ser humano, por ter como parte constituinte de seu Ser os sentimentos, não tem como tomar decisões no tocante ao seu próprio caminho com total racionalidade. Vivemos num mundo onde o capitalismo é mais do que um modo de produção, é mesmo uma ideologia. Tal ideologia nos convence que, assim como é preciso a total racionalidade para o desenvolvimento tecnológico voltado à produção em massa e, conseqüentemente, ao acúmulo financeiro exacerbado, essa mesma racionalidade deve ser aplicada ao controle de nossos sentimentos. Tal pensamento faz aumentar a chaga de nossas almas. Queremos nos tornar em algo não inanimado, porém, desalmado, sem a interferência das emoções.

Este culto ao racionalismo nos move ao ponto de sermos uma espécie de “videntes”. Como assim? Queremos viver no mundo de tal forma que não queremos ter decepções. Para que isso nunca ocorra, passamos a nos precaver de forma errônea, desconfiando de tudo e de todos – pois em nossa mente qualquer palavra a nosso respeito soa como algo maquiavélico. É uma espécie de auto-reclusão que dista da convivência sadia que alimenta e fortalece nossa personalidade – pois o contato com o diferente nos fortalece o entendimento, abre nossas mentes para o novo.

Pois bem, e por que então o sentimento é enganoso? Quando nos inflamamos de ódio de alguém, interpretamos-lhe tão somente como um sentimento ruim, que adoece a alma e faz a razão rumar por caminhos desconhecidos por ela mesma. Trata-se de uma interpretação “pigméia”, rasa, sem qualquer tipo de profundidade de raciocínio. O que mais nos faz nascer e domesticar este tipo de sentimento em é a profunda certeza de que nos sentimos inferiores ao objeto de nosso ódio. Tão profunda é essa certeza que chega mesmo a se esconder nos recôncavos de nossa alma e psique. Tal profundidade dificulta a sua descoberta em rápidos pensamentos. Muito “lixo emocional” dificulta a clareza da análise e faz com que uma enxurrada de emoções – e conseqüentes maus pensamentos – tomem conta da verdade em essência. Na verdade, não é o impedimento das emoções que nos fazem chegar a tal conclusão, mas sim, a sua substituição por outros sentimentos. Não há, na verdade, como divorciar a razão da emoção. Mesmo o tipo de racionalidade tecnológica é imbuída de sentimento. Não seria possível seu desenvolvimento se não houvesse o orgulho pelo que faz e a satisfação que isso traz. A vaidade, por assim dizer, toma conta do Ser, impulsionando-o ao “infinito”, fazendo-o se apaixonar pelo trabalho. A satisfação financeira, fruto dessa motivação (entenda: motivação = satisfação + vaidade), o impulsiona à busca pelo aprimoramento. Embora o dinheiro seja algo objetivo, sua essência é subjetiva. É como um espírito do baixo espiritismo que ganha “cara e cor” através de um deus materializado em imagem esculpida, presentes nos centros de candomblé. Há uma essência por trás dele, algo mesmo subjetivo, que foge do campo da compreensão. No mundo capitalista de hoje podemos dizer que a motivação é regada pelo dinheiro e pelo seu espírito que possui àqueles que assim se vendem ao presente sistema. Em outras palavras: quanto mais você se vende, mais motivado se sente, e mais ambientado (à vontade) se sente ao presente século. Na verdade, a humanidade, em sua grande maioria, está possuída pelo espírito do capitalismo. Tal espírito o incapacita a procurar outras saídas e, para aqueles que querem sair de sua égide, o mesmo espírito procura meios – coisa que não é difícil para ele – de prendê-lo. Escravidão seria o termo mais apropriado. Não há como sair. É a mão invisível que a nós todos controla.

A nossa felicidade, como exemplo da fugacidade de nossos sentimentos, é constantemente alimentada e retroalimentada por alguns “momentos alegres” igualmente fugazes. Na grande maioria das vezes, tais momentos só existem graças à interferência direta ou indireta do dinheiro. Interferência indireta? Como assim? Explico: até mesmo os sentimentos humanos que julgamos mais belos estão contaminados pelo espírito do capitalismo. Não conseguimos direcionar nossa paixão e o amor Eros àqueles que não se aproximam de nossa realidade financeira e/ou educacional (pois a educação, como a conhecemos, também está sob a lógica do acúmulo, que, por sua vez, é parte integrante da lógica maior do capitalismo). Agir contra essa lógica chega a ser vergonhoso. Até mesmo a beleza exterior, algo que deveria ser uma qualidade estética cultural, está com o seu conceito deturpado pela realidade capitalista. A moda, juntamente com as indústrias de cosméticos e de confecções, são instrumentos do capitalismo que ditam o belo, modificando-o ao seu bel-prazer. É desta forma que a beleza, como intermediadora primeira da paixão e do amor Eros – por estar imbuída do espírito capitalista – interfere indiretamente nos sentimentos mais belos da humanidade – principalmente a humanidade ocidental capitalista.

“Se ficar o bixo pega, se correr o bixo come” – seria o adágio popular mais apropriado para nossa realidade. O momento de mudança desta realidade já passou: o muro já ruiu! Mudança ainda é possível, no entanto, depreenderá de nós um esforço incomunal, de nadar contra a maré, sempre e sem parar!

sábado, 11 de junho de 2011

Você É Amigo de Deus?

Essa é uma pergunta que não quer calar: nos consideramos, de verdade, como amigos de Deus? Ao longo da história, o Seu povo sempre desprezou a Sua amizade. Lembremos: Quando Ele tirou o seu povo do Egito, agiu de diversas maneiras milagrosas, dando prova de Sua amizade: abriu o mar vermelho, colocou colunas de fogo para guiar o Seu povo à noite, pôs nuvens sobre todo o povo para protegê-los do sol, deu codornizes em abundância quando Seu povo enjoou do maná, fez sair água da rocha, enfim, inúmeras demonstrações de seu amor. E como eles agradeceram? Fazendo um Bezerro de ouro e elegeram-no como seu deus! Ou nos lembremos do povo Judeu, que em determinado momento estendeu mantos e palmas e clamaram: “Hosana ao que vem em nome do Senhor!”; e algum tempo depois, o mesmo povo clamou: “crucifica-o!”
Ou olhemos para a igreja católica, que até determinado momento de sua história era uma igreja íntegra, mas depois, chutou os princípios bíblicos e adotou pensamentos humanos, colocando-os acima da Palavra de Deus. A Igreja Católica brasileira, por exemplo, chegou ao ponto de adotar como objeto de sua adoração, uma "pequena estátua sem cabeça" encontrada no fundo de um rio! Que vexame! A própria bíblia deles condenam esta prática de idolatria (ver o livro do profeta Isaías). Muitos atribuem milagres àquele pedaço de madeira (ou pedra). Não sabem eles que o próprio diabo se transforma em anjo de luz para enganar a muitos. O poder das trevas também pode operar milagres: lembre-se que o bruxo contratado por Faraó, no tempo de Moisés, fez uma vara se transformar em serpente, assim como fez Deus através de Arão; ou lembre-se também das palavras do próprio Senhor Jesus Cristo (ver Mateus 24): "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos".
E o que dizer das igrejas evangélicas? Os evangélicos de hoje adoram mais aos cultos ao próprio Deus. Prova disso são os cultos shows, sem solenidade alguma, onde o que os motiva a ir à igreja são os ritmos dos cânticos e/ou a amizade oferecida pelos seus membros. Nossos cultos têm se tornado cada vez mais antropocêntricos: fazemo-lo de forma que agrade aos homens e não a Deus! Ficamos onde nos sentimos bem! Aliás, o que importa mesmo é a nossa satisfação garantida, e não o nosso sacrifício feito a Ele. E não estou falando de pseudos-crentes de Igreja Universal e afins. Me refiro aos “crentes” das ditas igrejas sérias.
Ou o que dizer de nós mesmos, que muitas vezes pecamos, conscientes de que estamos desagradando a Deus?
Agora, sinceramente responda: você é amigo de Deus?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Eis o problema do Poder.


A busca pelo poder e pela liderança é expressão do estado doentio pelo qual vive o mundo. Impor a “moral” em detrimento aos seus iguais, “não ficar por baixo” numa discussão com outros sujeitos sociais, são simples demonstrações de nossa chaga. Crescer profissionalmente, atingindo cargos mais altos no ambiente do trabalho tem sido uma constante na vida da sociedade capitalista ocidental de umas décadas para cá. Mas não um crescimento motivado pela paixão pelo o que faz, mas sim pelo poder e para o poder. Aliás, deve-se deixar bem claro, que foi a ganância pelo poder que fez Lúcifer ser expulso dos céus. O sentimento de poder e a sua busca está diametralmente oposto ao sentimento de se reconhecer no outro, como em comum, ou, mesmo que possa parecer paradoxal, de aceitar o outro como superior a si mesmo, como nos ensina o Evangelho de Jesus Cristo. O capitalismo, através de seus instrumentos práticos e ideológicos – ou práxis, como queiram – direciona-nos de forma doentia, a buscar o poder motivado tão somente pelo sentimento de superioridade, que lhe é tão imanente. É a “luciferização” da sociedade. Desde pequenos, quando ainda no desempenho dos papéis sociais de criança, filho e aluno (que vem do grego alumnus, ou seja, “lactante – aquele que está crescendo e sendo nutrido” e não de “sem luz”, como dizem os maus filósofos) somos bombardeados a buscar o conhecimento não pelo prazer (não tomem aqui como o falso prazer do hedonismo) e pela curiosidade, mas sim pelo sentimento de superioridade que isto vai lhe proporcionar num futuro próximo. Isso demole o princípio belo do conhecimento como auxiliadora da convivência humana e do desenvolvimento humano na vida em sociedade - desculpem-me pela proposital redundância.

A materialização do poder não se restringe às esferas macroestruturadas de nossa sociedade, mas perpassam – e não refletem – nos relacionamentos interpessoais. Aliás, o caminho chega mesmo a ser o inverso: a mácula na macroestrutura social é fruto direto da mácula pessoal – já que para o filósofo inglês Thomas Hobbes, à guisa de Plauto: “Homo homini lupus“ (o homem é o lobo do homem). A natureza social não apenas legitima essa prática doentia, mas a aprimora. Como ideologia, o capitalismo expõe em “pratos limpos”, para todo mundo ver, que o seu esteio é a acumulação (sobretudo a acumulação de bens) à todo custo. Repito: à todo custo! No Brasil, mais até do que outros países latino-americanos (que tiveram uma história de formação político e cultural mais ou menos parecido com a nossa), essa prática parece que se “aprimorou” (entre aspas, poque ganha conotação pejorativa) mais do que deveria. O célebre Sociólogo Sergio Buarque de Hollanda já nos alertou sobre a cordialidade brasileira. Mas não tomem o termo cordialidade como gentil, ou seja, em seu sentido nobre. Aqui ele se refere a um comportamento flexível ao ponto de atropelar a ética e a civilidade, confundindo o público com o privado, motivado pela ação emocional típica do brasileiro, em detrimento a ação racional. Apropriar-se do dinheiro público, enriquecendo ilicitamente, através de licitações de “cartas marcadas”, facilitado pelo tráfico de influência e formação de quadrilha, instalada nas três esferas de poder (executivo, legislativo e judiciário), contando também com o forte braço da mídia – que deveria ser imparcial em sua prática jornalística –, tem se tornado a maneira mais corriqueira e rápida de fazer crescer o seu patrimônio pessoal. Somos levados, muitas vezes, a fazer vista grossa, tendo em vista a manutenção de nossos empregos e consequente manutenção do triste status quo que de perto nos rodeia. O capitalismo utilizou-se da característica cordial do brasileiro para naturalizar algo que deveria ser extirpado de nosso meio. É campo fértil para a lavoura da corrupção! Estamos anestesiados (ora por pura e simples aceitação, ora pelo sentimento de impotência) diante da realidade. Vou mais além: é mais do que anestesia, é covardia! Achamo-nos sábios em não nos metermos em coisas maiores que nós, e principalmente quando não nos atingem direta e exclusivamente. Desculpa esfarrapada! Somos todos parte de um todo! “Um passo a frente e não estamos mais no mesmo lugar” já nos dizia o genial Chico Science. Sua ação diz alguma coisa, mesmo que lhe cause ônus. Aliás, perder algo, mesmo que a própria liberdade, por não compactuar com a corrupção, é algo nobre, digno de ser aplaudido pelas almas e mentes mais dignas da história. Não me refiro apenas às grandes personalidades que estamparam seus nomes nos anais da história social, mas àqueles anônimos que viveram materialmente pobres, mas incorruptíveis, ricos de uma dignidade que o mundo jamais foi merecedor de recebê-los.

Enquanto as licitações de “cartas marcadas”, apoiadas em quadrilhas de “colarinho branco” lhes rendem poder (financeiro, político e social), nossa educação continuará sendo sempre precária, nossa saúde “andará doente” com doenças dos séculos passados que ainda matam (tais como malária, dengue, meningite e tuberculose), a segurança continuará a inexistir, miseráveis continuarão a não ter um teto digno sobre suas cabeças, e toda sorte de mazelas que passam a existir por falta de investimento público, desviado aos cofres de seres egoístas que hipocritamente chegam a abrir e manter centros de cuidados a crianças carentes, como uma forma de maquiar a podridão que está por trás de seu caráter. “Sepulcros caiados”, bem já definia esses tipos nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pequena reflexão sobre a Supressão doutrinária do consumismo sobre a ascese religiosa cristã.


Considerando o Capitalismo não apenas como um Modo de Produção econômica tão somente, mas principalmente como uma ideologia que molda toda a estrutura objetiva e subjetiva dos indivíduos e, conseguintemente, da sociedade como um todo, com suas práticas embasadas principalmente no consumo – desnecessário, muitas vezes –, tenho percebido, principalmente nestas últimas décadas, o mesmo penetrar a subjetividade dos indivíduos de tal forma que tais atores sociais demonstram, através de suas práticas, supervalorizarem tal ideologia em detrimento dos valores e princípios religiosos ensinados pela doutrinação religiosa que professam; que ensinam (a doutrinação), dentre muitos outros, o não consumo exorbitante e o estilo simples de vida, do ponto de vista material.

Pelo fato dos jovens – do ponto de vista de algumas correntes da Psicologia – estarem em fase de construção do caráter, se constituem os alvos mais comuns dos “ataques” da ideologia capitalista, acabando por se renderem e, conseguintemente, introjetarem seu valor.


Faz-se necessário, primordialmente, tratar sobre o conceito de consumo adotado para esta reflexão. Para Featherstone (1995), “o consumo tem como premissa e expansão da produção capitalista de mercadoria que deu origem a uma vasta acumulação de material na forma de bens e locais de compra e consumo” (p. 31). Tal expansão não seria possível se não houvesse uma ideologia por trás do ato de consumo per si que convencesse os sujeitos sociais a se enquadrarem em seus princípios e "doutrinas". O capitalismo não teve como método primordial o convencimento através de sua ideologia, para posteriormente moldar os comportamentos e estabelecer os hábitos de consumo nos sujeitos sociais; tal convencimento veio de forma prática, paralela, seduzindo e introjetando hábitos e costumes nos indivíduos.


Tais hábitos são retroalimentados quando as mercadorias em si viram instrumento de mediação de status, diferenciação e conservação social, como formas de se inflacionar as diferenças e as distâncias com outras classes mais baixas da hierarquia sócio-econômica de sua sociedade local. Tendo como premissa a coisificação do humano, esse mesmo princípio macroestruturado tende a interfirir significativamente em todas as esferas micro em que o indivíduo possa estar, nas sociedades capitalistas. Daí a sua expressiva interferência na religião – demonstradas nas comunidades religiosas cristãs em que os sujeitos estão inseridos – chegando mesmo a resignificar os valores que, à princípio, no âmbito religioso, deveriam ser formados pelos ensinamentos que lhe apraz. O que era para ser um lugar de adoração a Cristo (divindade), onde comportamentos e pensamentos deveriam ser todos eles voltados com este único fim, passam a estar perdendo terreno para o estabelecimento, diferenciação e exibição do status social, através de seus bens de consumo no seio das igrejas. Assim, as mercadorias são usadas como forma de se distinguir, bem como para se criar vínculos sociais com outros sujeitos que congregam a mesma comunidade religiosa, sendo (os bens), desta feita, por demais significantes na decisão de escolha de seus vínculos sociais.


Conforme Baudrillard, isso causa uma falência nas relações humanas, onde o apego às coisas se torna mais significante do que as próprias pessoas. As coisas tornam-se instrumentos balizadores nas relações interpessoais, determinando não apenas o tipo de relação, bem como elegendo o tipo de pessoa a quem quer se relacionar.


Uma outra proposta conceitual pertinente é a da pós-modernidade, não tomando o pós como uma supressão total da modernidade, mas sim como uma nova forma de exigências - principalmente no mundo do trabalho – que se fazem no mundo atual, aumentando assim a disparidade entre as classes econômicas. Para tratar sobre o conceito, não há como esquecer de Zigmunt Bauman, que julga a pós-modernidade não apenas incapaz de ser propiciadora de sentidos, bem como a principal fomentadora da angústia dos homens na atual sociedade. Isto porque corresponde à característica da pós-modernidade, uma sociedade marcada pelo capitalismo pós-industrial, consumo exacerbado, movimento constante, efemeridade e fragilidade dos laços afetivos entre as pessoas. O impacto desses fenômenos nos relacionamentos afetivos interfere nas relações transformando-as “em amores líquidos”, motivada pela efemeridade das relações, fruto nada mais e nada menos do que a efemeridade dos sentimentos, característicos da pós-modernidade. Esta característica pode interferir sobremaneira nas relações entre membros e congregados de uma mesma comunidade religiosa, onde os laços se tornam mais afrouxados, quando a mercadoria passa a ser a principal modeladora e determinante nas relações pessoais. Os sentimentos que muitas vezes são também moldados pelos ensinos religiosos (fundados dentre muitos outros ensinos, no altruísmo e no amor ao próximo), passam a não apenas ter suas amarras afrouxadas, bem como a ser suprimida pelo apego às coisas e não mais às pessoas, como de fato deveria. Ainda sobre o conceito de Pós-modernidade, devemos nos lembrar de Huyssens quando o mesmo diz que…

“…o que aparece num nível como o último modismo, promoção publicitária e espetáculo vazio é parte de uma lenta transformação cultural emergente nas sociedades ocidentais, uma mudança de sensibilidade para a qual o termo ‘pós-moderno’ é na verdade, ao menos por agora, totalmente adequado. A natureza e a profundidade dessa transformação são discutíveis, mas transformação ela é. Não quero ser entendido erroneamente como se afirmasse haver uma mudança global de paradigma nas ordens cultural, social e econômica; qualquer alegação dessa natureza seria um exagero. Mas, num importante setor da nossa cultura, há uma
notável mutação na sensibilidade, nas práticas e nas formações discursivas que distiguem um conjunto pós-moderno de pressupostos, experiências e proposições do
de um período precedente”
(A. Huyssens, 1984, “Mapping the post-modern”. New German Critique, No. 35, pp. 5-52, Apud Harvey,1996:45).

Assim, há um reconhecimento por parte do autor – e conseqüente convencimento de minha parte – de que há uma mutação na sensibilidade e nas práticas da presente época, onde tal mutação seja fruto mesmo da pós-modernidade. Como arcabouço de conceitos e teóricos que discutem o tema, temos em Anthony Giddens a idéia de que a globalização é uma continuação de tendências postas em movimento pelo processo de modernização que teve início na Europa do século XVIII. A modernização substituiu as formas de sociedades tradicionais que eram baseadas na agricultura, e que nunca estanca no tempo, mas continua em seu processo de movimento, perpassando pela industrialização, informatização e etc. Vale salientar que as substituições (alterações) não se dão apenas no âmbito objetivo, material, mas interfere significativamente na subjetividade do sujeito e, conseguintemente, em suas formas de se relacionarem.

Enfim, a ideologia do consumo suprime a doutrinação cristã ao ponto de colocá-lo em segundo plano (não por iniciativa da igreja e de seus líderes) mas pelos seus próprios membros, que assim o fazem desintencionalmente.