Muito interessante, vale a pena conferir:
http://www.portalcafebrasil.com.br/podcasts/362-a-janela-de-overton/
“Total Inexistência do pensamento emancipado da realidade. Realidade intermediada pela linguagem. Linguagem imbuída de símbolos”.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
A POESIA DESPOETISADA DA BAGUNÇA
Louvem a
bagunça, pois da desordem da ordem estamos cheios! O caos ordenado ou a ordem
caótica? Não sei em qual delas encaixo meu país. Prefiro viver na ordem ou até mesmo
no caos, pois assim não me desorientaria. A ordem orienta para sua manutenção;
e no caos sabemos onde está o norte.
E onde
estamos, o que sabemos? Se não sabemos sequer onde estamos, onde encontrar o
norte? Quem é o norte? Não me surpreende se buscamos o além, pois o aquém está
perdido.
Perdido na
bagunça que causamos. A bagunça entra em nós, e nós nela! Como escapar disso? Desde
a redemocratização que criamos a ordem desordenada, apoiamo-la fervorosamente. Quiçá
até a adoramos... criamos em torno dela uma espécie de tabu! Achávamos que a
ordem dependia da manutenção deste tabu, coitados!
A nossa ordem
não é a ordem dos “achados”; “perdidos” nada sabem ordenar, muito menos a nós!
Jogaram o futuro do nosso país – o nosso futuro! – nas mãos de quem nada sabe:
o povo – bagunçado (e bagunceiro!), desordenado (e desordenando!), e perdido (e
pondo a perder!). Quem nada sabe, nada faz ou faz errado!
Já nascemos
bagunçados e esperamos o que? Que o milagre venha de nós? Quimera fantasiosa! –
desculpa a proposital redundância! Vivemos à revelia deste povo culpado pelo
seu próprio crime e que se acha inocente – tamanha a desorientação!
Desconstruímos
o que não construímos; vivemos a morte de nossos tempos (e atos), e morremos onde
nunca houve vida.
O que vivemos
na esfera político-econômica é produto de nossas escolhas e atos. Escolhemos errado,
fizemos errado. A matemática é simples. Mas esperar que o certo venha de quem é
imanentemente errado, só em filmes de ficção que nem em Hollywood conseguiu se
produzir!
Participamos de
manifestações, fazemos “panelaços”, opinamos contra nas redes sociais, compartilhamos
vídeos, áudios e textos contra a “situação”, aderimos à moda do “fora corruPTos”,
negamos que neles votamos, pedimos impeachment, mas se uma outra eleição
ocorrer, erraremos de novo! Talvez não da mesma forma, mas outras escolhas
erradas seriam tomadas. Só bagunçaríamos o que nunca foi arrumado.
Ah, a intenção era
fazer poesia... mas a bagunça (dentro e fora) é tão grande que não dá para organizá-la
em verso e prosa.
sábado, 2 de maio de 2015
REFLEXÕES SOBRE O ENCONTRO DE JESUS COM A MULHER SAMARITANA (Jo. 4. 1-26) - PARTE II
v. 15 – “Senhor,
dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, nem venha aqui
tirá-la”.
De
imediato, aquela mulher reconheceu que as suas tradições não
preenchiam o vazio de sua alma; era-lhe insuficiente demais, não
serviam como alicerce para a sua vivência na terra. A expressão
“nem venha aqui tirá-la” significa, em outras palavras:
“para que eu não mais recorra as minhas tradições”.
É
bem verdade que o Ser humano procura razões para viver e se
orgulhar; o Ser humano é um ser local e ideológico, costuma se
orgulhar de suas raízes, e busca alguma ideologia para se
identificar. Como já bem disse um cantor e compositor brasileiro:
“ideologia, eu quero uma pra viver”. Mas a mulher
samaritana teve uma atitude louvável: reconheceu a insuficiência de
suas tradições, raízes, e a ideologia recorrente na Samaria.
Talvez naquele momento ela tenha desabafado algo que a deixava
engasgada e viu a pessoa certa e o momento certo para dizer que
aquelas tradições não lhe representava.
Fico
a imaginar quantos e quantas estão presos(as) às mais diversas
tradições, o mais fundo de suas consciências os acusam que suas
tradições e ideologias não os levam a canto algum, não preenchem
seus vazios existenciais, enfim, lhes são insuficientes.
Não
é novidade alguma que o cristão deve lutar contra a tríade
maligna: satanás, carne, e o mundo. Destes, o mundo faz a parte
dele pondo em nossa frente um “cardápio” imenso de ideologias,
ou seja, motivos para se viver. O encurtamento das distâncias
provocada pela internet, só fez aumentar ainda mais esse “cardápio”,
e como consequência, o vazio. Muitos passam a se identificar com
histórias que não são suas, com raízes que nunca lhes pertenceu,
e com ideologias que nada tem a ver com a sua história de vida. O
vazio humano é tamanho que chegam mesmo a abraçar, “de corpo e
alma”, estilos de vida e causas, que nunca pertenceu ao seu
território.
Óbvio,
não era o caso da mulher samaritana, ela se orgulhava das tradições
criadas em sua própria terra. Porém, todo tipo de tradição –
seja ela “de dentro” ou “de fora” – que não é
fundamentada em Cristo, não tem o poder de preencher a alma com
satisfação. Um dia tornará a ter sede.
vs.
16 a 18
– Ao ler esse trecho, nada tira de minha cabeça que Jesus estava
testando o grau de sinceridade daquela mulher. Percebam que Jesus
pede para que ela chame seu marido, logo após ela pedir “a água
que não mais dá sede”. Embora sendo Deus, e conhecido a
sinceridade interior da mulher ao pedir desta água, Jesus queria
mais uma prova de sinceridade e pede para ela falar de algo que traz
constrangimento à vida de qualquer mulher de sua época – e a
muitas de nossos dias! Ela poderia, movida pelo constrangimento, ter
mentido sobre sua situação matrimonial, como tenho visto muitas
mulheres fazerem em nossos dias: vivem amasiadas com algum homem, tem
toda uma vivência de casados, e os chamam de maridos ou
“namoridos”.
Porém, devo destacar que a aliança do casamento, firmada na
presença de Deus e da sociedade, tem um
caráter mais do que simbólico para Deus: é
também uma aliança espiritual.
Perceba que Jesus reconhece isso ao dizer: “...e
o que agora tens não
é teu marido...”.
Jesus
deixa bem claro que aquele tipo de relação não era uma casamento
de fato!
Sinto
muito se o que está sendo dito agora está trazendo constrangimento
a alguém, mas a verdade precisa ser dita (com
zelo e amor) e
que sirva de alerta para muitos e muitas, para que corrijam suas
relações amorosas diante de Deus. Pode até haver o amor sincero
entre vocês, porém, para Deus, isso não é suficiente para que se
declarem casados.
Abro parêntese: “A igreja é um local de renovação de esperanças,
mas também é de exortação”. Fecho o parêntese.
vs.
20 e 21
– A
mulher ainda estava com a cabeça movida pelas tradições. Ela não
mais tinha dúvida de que Jesus era um profeta (ver v. 19),
acreditava em suas palavras, porém, a esfera espiritual, para ela,
ainda estava atrelada a algum tipo de tradição. Ela ainda
acreditava que existia um local certo para se adorar: “Nossos
pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar
onde se deve adorar”. Antes,
um adendo: se perceberem a narrativa do diálogo entre Jesus e a
mulher, em nenhum momento se vê Jesus falando que “em
Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”. Além
de o julgar pela região onde habitava (Judeia), quis colocar
palavras na boca de Jesus. Ruídos de comunicação acontecem a todo
instante.
Muitos
agem como essa mulher: ainda acreditam que a igreja A ou B é a
certa, que Deus só recebe a adoração e escuta seus clamores
naquela denominação ou templo. É um tipo de religiosidade, algo
que deve ser banido da mente de muitas pessoas. E foi nesse intuito
de banir essa percepção que Jesus declara: “Mulher,
crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém
adorareis o Pai”.
Jesus deixa claro que a adoração não é amarrada a algum tipo de
local,
tradição.
A verdadeira
adoração
é algo que vem de dentro, e isso
fica evidenciado nos versículos 23 e 24. Basta nos lembrarmos da
silenciosa
oração
de Ana (1Sm
1. 13),
que pediu a Deus um filho, e pediu no íntimo de seu Ser. Quando nós
só recorremos a Deus – e não para outros deuses simultaneamente,
como faz a igreja católica
–
para a solução de nossos problemas, isso é uma forma de adorá-Lo,
pois reconhecemos a suficiência de seu poder, misericórdia
e
benignidade para nos ajudar.
v.
22
– Talvez
achemos que Jesus esteja sendo territorialista ao declarar isso.
Porém, não
se trata de sectarismo
algum. Conforme diz o estudioso Norman Champlin, a expressão “vós”
se refere tanto aos samaritanos como aos judeus que não o
reconheciam como Deus; e “nós”, aos cristãos.
E
ao dizer que “a
salvação vem dos judeus”,
Jesus destaca a função histórica de Israel e não ao Israel
espiritual.
vs.
23 e 24
– Uma das mais famosas declarações bíblicas em que vemos
ser cantadas em diversas canções. “Em
espírito, em verdade, te adoramos, te adoramos”.
Isso
manifesta o caráter interior da adoração. Os judeus costumavam (e
ainda costumam) adorar a Deus nas praças, no muro das lamentações,
fazendo vãs repetições e gritando suplicas a YHWH. Muitas igrejas
que se dizem cristãs seguem o mesmo erro, costumam adorar e clamar
aos
gritos e com
manifestações
corporais exóticas.
Deus
não procura performances
da adoração. Ele quer que o adoremos em
espírito
– que o adore com fé, creia que Ele é Deus e galardoar dos que o
buscam (Hb. 11. 6) – e em
verdade
– sendo seu amigo, fazendo o que Ele manda (Jo. 15.14).
v.
25
– Até aquele momento a mulher acreditava
que ele era um profeta (v. 19), mas jamais poderia imaginar que
estava falando com o próprio Cristo (que significa Messias), aquele
que viria libertar judeus e samaritanos das garras do pecado, de
satanás, e da morte eterna – e quero crer que se houvesse
aceitação e reconhecimento por parte dos judeus de que ele era o
messias, os libertaria também do poder dos romanos, já
que essa era a maior esperança dos judeus, um libertador político.
vs.
26
– Jesus declara ser este messias. Fico imaginando a mescla de
susto e surpresa que aquela mulher teve. Mas o que mais me chama a
atenção é o caráter pessoal de Deus: “...
eu que falo contigo”.
Nosso Deus é um Deus pessoal. Como bem disse Ed René Kivitz, em seu
livro “O livro mais mal-humorado da bíblia” (fazendo referência
ao realismo de Eclesiastes):
“Na
tradição espiritual judaica, Deus não se apresenta como 'Deus dos rios, sol e vento', mas sim como 'Deus de Abraão, Deus de Isaque,
e Deus de Jacó'. Na hora de se identificar ele escolheu citar
nomes de pessoas e não de objetos naturais” (p.
8, 2014).
Pode
nos parecer estranho, mas como pode o criador do universo (com as
suas bilhões de galáxias), dos céus, da terra, do mar e de tudo o
que neles há, falar comigo? Eu não sou nada perante o
universo. O ínfimo dos ínfimos! Mas Ele não apenas fala, como
melhor que isso: tem a intenção de iniciar um diálogo conosco.
Foi
o que vimos acontecer com a mulher samaritana (v. 7) e em tantos
outros exemplos bíblicos. Portanto, busque-o, mas busque-o de todo
o coração, pois o acharão se o buscardes de todo o coração (Jr.
29. 13).
terça-feira, 7 de abril de 2015
REFLEXÕES SOBRE O ENCONTRO DE JESUS COM A MULHER SAMARITANA (Jo. 4. 1-26) - PARTE I
O episódio se deu quando Jesus retornava da Judeia e se dirigia à
Galileia. O deslocamento (forçado) de Jesus se após acompanhar os
batismos que seus discípulos faziam na Judeia. A informação havia chegado de
forma distorcida aos ouvidos do fariseus, onde acreditavam que ele praticava os
batismos.
Para chegar à cidade da Galileia em curto espaço de tempo, era
necessário passar pela Samaria (ou Samária em algumas traduções). Nesta região
havia uma cidade chamada Sicar, onde havia um poço de importância histórica e
simbólica – foi onde Isaque havia cavado e dado ao seu filho Jacó. Neste poço,
Jesus, cansado da viagem, sentou-se para descansar e hidratar-se. Mas não
apenas isso, creio que ele aguardava chegar a mulher samaritana (da qual a
bíblia não cita seu nome) para travar um dos mais emblemáticos diálogos
narrados no Novo Testamento.
Para entender ou relembrar a história, basta consultar o texto
supracitado. Porém, é necessário lermos essa história fazendo um paralelo entre
o fato narrado com a nossa história e idiossincrasias cotidianas. Creio que de
uma maneira simbólica (alegórica) podemos contextualizar esse diálogo e fazer
uma leitura das entrelinhas do que se passava.
v. 7 – “Dá-me de beber”. Uma simples expressão denota a iniciativa de
Jesus em não apenas iniciar um diálogo, como também de quebrar as barreiras
sociais que haviam entre judeus e samaritanos. É um Jesus revolucionário,
quebrando os paradigmas sociais – mais uma vez! –, não dando importância ao mau
falatório que isso poderia gerar entre os seus discípulos e para todo um povo.
Era Jesus demonstrando que não estava interessado com as opiniões alheias à seu
respeito. Ele sabia quem era, de onde veio e para que veio; fazia o que tinha
de fazer, cumprir com as ordens do Pai, sem temor algum de sofrer retaliações
morais e preconceito social.
Mas também nos ensina que, se somos nós os interessados em falar quem é
Jesus, de onde veio, para que veio, e o que fez pela humanidade, então nos cabe a iniciativa de um diálogo. Não vamos aguardar que venham nos perguntar – a não
ser por mera curiosidade –, pois isso é impossível para os que estão mortos em
seus delitos e pecados (Ef. 2.1).
v. 9 – “Como sendo tu judeu, me pedes a beber a mim, mulher samaritana?”.
Percebe-se duplamente introjetado na mulher as barreiras sociais. Não apenas o
fato de ser “samaritana”, mas “mulher
samaritana”. Bem sabemos que a cultura daquele tempo e região – assim como
ainda ocorre em algumas regiões do planeta – as mulheres eram relevadas ao
segundo plano; sequer eram contadas. Foi o meio em que ela viveu, viu durante
toda sua vida um afastamento social entre o seu povo e os judeus, e não se
tratava de um afastamento natural, mas recheada de ódio, brigas e perseguições.
Não a julgamos, talvez nós tivéssemos introjetado esse mesmo tipo de
sentimento. Sentimento compassivo entre estes povos existia apenas em uma única
parábola (o bom samaritano) e mais em canto nenhum.
v. 10 – “Se tivesses conhecido o dom de Deus...”. Podemos entender este “dom”
como sendo ele mesmo (Rm. 5.15), seu poder (At. 8.20), sua graça (Ef. 2.8), ou
a vida eterna (Rm. 6.23) – as quatro formas interpretativas não são
excludentes! Fico a imaginar o quão diferente seria a reação da mulher ao
avistar Jesus, mas na condição de quem sabe sê-lo o dom de Deus. Isso nos faz pensar
o quão importante é o conhecimento, e o tamanho de nossa responsabilidade de
fazer Cristo conhecido entre os povos. Muitos (membros de nossas igrejas) podem
ter ouvido falar de Cristo, mas conhecê-lo plenamente é outra condição
completamente diferente, transforma a história de vida de quem passa a
conhecê-lo.
Quem o conhece, o trata de uma maneira diferente, e aproveita de sua
presença para ser abençoado (e por que não?!). Foi assim com os discípulos do
caminho de Emaús, ao perceberem de quem se tratava o “nobre andarilho” que os
acompanhavam, não queriam deixá-lo ir. Sua presença é agradável, dá segurança,
dá paz, enfim, abençoa!
A mulher samaritana não o tratou de maneira diferente porque não o
conhecia. Mas ela estava perdoada, pois não
sabia o que fazia (Lc. 23.34). E muitos não o tratam com a devida honra
porque da mesma maneira não o conhece. Fazer Cristo conhecido é uma maneira de
honrá-lo, dignificar Sua pessoa e seu maravilhoso feito por nós!
vs. 11 e 12 – “Senhor, não tens como tirá-la [...] és,
porventura, maior que o nosso pai Jacó... ?” – Pergunta clássica de quem
não apenas desconhecia o Seu poder, como de quem tem suas tradições maior do
que alguém ou qualquer outra coisa. É a reação típica de quem ainda não conhece
a Jesus, não é de se espantar.
Também é a reação clássica de quem não conhece plenamente o poder deste
maravilhoso Deus. É, também, a reação de quem confia em suas tradições, quando
enxergam que elas nada podem fazer pela sua amarga situação.
- “Senhor, meu problema é grave demais, o poço
é fundo! Como é que o Senhor vai tirar uma solução?”.
Quando estamos mergulhados no lamaçal dos problemas da vida, o
desconhecimento de nosso Deus e a cor turva da lama (problemas) escurecem nosso
campo de visão, ação e emoção. Minam nossas esperanças! O desconhecimento de
Jesus Cristo (Deus!) de certa forma incapacita o poder de ação (e reação) Dele.
Não se choquem com o que acabaram de ler, mas a fé – etapa posterior ao
conhecimento – e a entrega da vida (consequência da fé) são condições
primordiais para mudar de vida, nascer de novo! Se os doentes e aflitos que
procuraram Jesus não o conhecessem, jamais teriam o procurado para sanar seus
males. Mas eles não apenas conheciam, como também acreditaram que não havia
poço fundo demais que ele não pudesse buscar a água de suas sedes.
v. 13 – “Todo o que beber desta água tornará a ter sede”. Jesus não se
referia apenas à água do poço, referia-se também às tradições e história
daquela mulher, bem como a todas e quaisquer benesses que o mundo possa
oferecer. Sabia que todas as benesses da história que construiu as tradições e
costumes de seu povo não eram suficientes para matar a sede espiritual daquela
mulher.
Muitos são assim. Olham para trás e se orgulham de seus feitos. Chega um
tempo em que olharão para trás e não sentirão mais tanto orgulho. Então, para
manter seus orgulhos, sempre correrão atrás de novos feitos que sirvam de
lenitivos para a sua alma, e isso vira uma cadeia de dependência sem fim; ou
seja, sempre tornarão a ter sede!
v. 14 – “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede...”. “Longe
esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Cristo” (Gl. 6.14); “tenho
também como perda todas as coisas ‘pela excelência do conhecimento de Cristo’
[...] as considero como esterco...” (Fil. 3.8). Eis a diferença de quem já
conheceu plenamente a Cristo!! Não há história, tradições, vitórias na vida que
possam satisfazer sua sede! Somente “pela excelência do conhecimento de Cristo”
é que se pode matar definitivamente a sede do homem. Quem bebe (conhece e crê)
jamais terá sede! Muito mais que isso: tornar-se-á uma fonte que jorrará esta
água, ou seja, passará a fazer Cristo conhecido na vida de muitos – não só
através de palavras, mas, sobretudo, no comportamento –, tornando-se o pai na
fé de muitas vidas.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
A HUMANIDADE FRACASSOU, O CRISTIANISMO TAMBÉM!
A imagem que corre os diversos tipos
de mídias, de uma menina Síria (Hudea, 4 anos) de braços
levantados, rendendo-se ao confundir a câmera com uma arma,
registrada pelo fotógrafo turco Osman Sagirli, em 2012, é
caricatural! Emblemático! Descreve com perfeição o fracasso
humano.
O Ser humano, ao longo de sua
existência, aprendeu vários ofícios, desenvolveu a ciência nos
diversos campos que abrange o melhoramento da vida humana, mas, ainda
assim, não sabe ser Humano.
Sempre queremos culpar ao que está
fora de nós (complexo de Eva), como motivação maior à degradação
moral em que sempre viveu a humanidade – não é particularidade de
nossa época. Os esquerdistas de plantão estão sempre prontos a
vociferar que a culpa é do Capitalismo, que os humanos nascem neste
sistema econômico e ideológico, se amoldando ao estilo de vida
consumista, corroborando para o aumento do egoísmo no mundo. Vários
foram os sistemas econômicos antes do capitalismo e nada mudou. Nem
piorou. A humanidade continua falhando no seu projeto de ser Humano.
Aliás, poucos homens projetaram seguir à risca alguns projetos que
tentaram humanizar o homem – sejam eles oriundos de correntes
ideológica, filosófica e/ou religiosa. Todos sem sucesso. Sobretudo
(e todos), o cristianismo. Digo para a vergonha minha.
Meu cristianismo é superficial e
mercadológico. Não tem competência moral para julgar o mundo de
hoje, nem de outrora, pois ajudou a piorar a situação da humanidade
ao longo de suas cruzadas e colonizações. Precisaria Cristo voltar
mais uma vez para corrigir aquilo que os seus seguidores desfizeram, mas não
em Seu Nome. Os seus poucos e verdadeiros seguidores (que ainda
existem, acreditem!) e que aprenderam e praticam seus ensinos e
conselhos, são de quantidade irrisória, irrelevantes para
transformar o mundo. Precisariam ter o poder e a mente de Cristo para
obterem êxito.
Não há fé suficiente para fazer
as “obras maiores que do que eu faço” (Jo. 14.12), nem pleno
conhecimento acerca de Cristo para possuirmos a sua mente (1Co.
2.16). A igreja faliu! Como tudo na vida, começou bem, mas não
apenas piorou ao longo de sua jornada, como tornou-se o anverso de
sua essência.
Que a humanidade fracassou, não me
surpreende, mas o cristianismo tornar-se seu próprio antídoto, isso
me fere e envergonha.
quinta-feira, 12 de março de 2015
EM PRIMEIRA PESSOA
Perdi a capacidade de pensar. Já
fui inteligente, eu sei. Estou totalmente
destreinado para a atividade de pensar. Não consigo ter a
mesma visão de mundo, atrofiei. O que antes saía
naturalmente, hoje demora; e quando a ideia nasce, nasce atrofiada.
Só sei falar de mim,
pura prova de que não sei mais falar de nada exterior a mim.
Sinto o desejo de escrever, mas só sai na primeira pessoa.
Estou preso em mim, porque nunca me libertei
para o que está fora de mim.
Não
sei
se isso é bom ou ruim. Se uma
fase,
ou
egoísmo. Acho
que egoísmo. Uma forma mínima de egoísmo, mas não deixa de ser.
Isso mostra meu
vazio intelectual, minha
pequenez, minha
limitação. Não sirvo
para nada, não sei
de nada.
Quando
quero
falar de algo exterior a mim,
isso se torna sacrificante, pesado, me
deixa amargurado. Típico pós-moderno, preso em seu mundinho,
cuidando das fronteiras de sua ilha e destruindo os binóculos que
avistava a solidão alheia.
Até
quando falar de mim
ajudará o próximo? Seres vazios não ajudam, não tem nada para
ensinar. A bem da verdade, eu
preciso
de ajuda. Não consigo
me
libertar de meu
vazio.
Cristo
foi altruísta, porque tinha o que ensinar. Aquele que tem conteúdo
ensina; quem não, porque não há conteúdo suficiente para ensinar.
Cristo ensinou e não cessou de ensinar. Uma
fonte de conhecimento e sabedoria. Tudo o que me
falta.
Procurei
meios institucionalizados e alternativos para iniciar os passos deste
caminho, mas não tem jeito... “volta o cão ao seu vômito, e a
porca lavada volta a revolver-se no lamaçal”.
Quanto
mais me
aprofundo, mais me
perco e conclusão alguma chego
a respeito de nada e nem de mim
mesmo. Nada de útil flui de mim.
Nem para falar de mim
mesmo sirvo. Isso me
angustia e sequer me
molda. Beirando à depressão.
Chegar
a tais conclusões me
deixam sem ânimo e me
direcionam para as derrotas da vida. Talvez a única serventia seja
me
preparar para o pior.
Vejo
os vitoriosos que me
cercam e contemplo
neles um olhar para fora de si, sempre se lançando para algo que
contribua com o bem estar social. Tomei
o caminho inverso e não consigo
arrepender-me.
Não deveria existir. Quem
não contribui,
que
não viva!
terça-feira, 10 de março de 2015
Episódios
“Um episódio não é a
consequência inevitável de uma ação precedente, nem a causa do
que virá em seguida” (Bauman in Kundera, 2004, p. 70)*.
Esta frase me parece por
demais generalizante. Não creio que os fatos sejam dissociáveis de
experiências de outrora. Há, óbvio, no cotidiano, ações – ou
mesmo discursos – não concatenados com fatos precedentes, por mais
que isso possa contrariar os materialistas históricos e analistas de
discursos. Porém, generalizar é um erro gritante.
Creio que somos aquilo
que construímos, mesmo à contragosto e longe do que idealizamos
para nós. Nossos atos dizem mais de nós àquilo que pensamos de
nós. Somos nossos rastros nos vários terrenos pelos quais passamos.
Não compactuo com a ideia de que somos o “agora”, e que as
experiências passadas construiu-nos; não dissocio o “fomos” do
“somos”, apenas somos. Alguns hábitos podem ter
sido deixados para trás, pensamentos à respeito de assuntos
pontuais e exclusivos podem ter sido substituídos pela posição
antagônica – ou mesmo radicalizados –, e quiçá a própria
essência do caráter tenha sido significativamente transformada.
Porém, ainda assim, somos.
Somos as várias máscaras
que vestimos ao longo da vida; elas podem ser exteriores a nós,
frutos da determinação sócio-cultural, ou mesmo da desigual luta
contra essa macrodeterminação, afinal de contas somos seres
históricos – locais, finitos e temporais – mas também podem ser
máscaras construídas, como uma maneira de encarar a realidade.
Destarte, os episódios
são o terreno que calçam nossa existência. Muitos são construídos
(forjados), outros nos surgem de supetão e exigem de nós uma
resposta imediata, que certamente virá de acordo com as experiências
construídas, ou seja, daquilo que fomos lá trás e que novamente
seremos no presente – mesmo que de maneira diferente de outrora,
levando em conta as lições aprendidas.
* Bauman, Zygmunt. Amor líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2004.
* Bauman, Zygmunt. Amor líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2004.
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