segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Se ficar o bixo come, se ficar o bixo pega...


Pequeno artigo escrito pelo pastor Augustus Nicodemus, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com/search?updated-max=2012-02-24T20:02:00-02:00&max-results=5


O ateísmo fundamentalista e o avanço dos muçulmanos são ameaças à Igreja de Cristo. Na verdade, sempre foram, na longa história da Igreja Cristã. E cada geração precisa se preparar para encarar estes desafios antigos.

Mas o neopentecostalismo que se mistura com cultos afro, misticismo, paganismo, mercado religioso e promove a teologia da prosperidade me parece ser, no momento, um desafio muito maior para a Igreja brasileira, pois vem de dentro, passa uma imagem distorcida dos evangélicos para a sociedade, rouba nosso vocabulário, nossa Bíblia, nossa liturgia e nossos membros.

Pastor Yousef Nadarkhani

Não podemos apenas admirar este homem de Deus. Temos que orar pela sua libertação, assim como os crentes narrados no livro de Atos fizeram com o apóstolo Pedro: "Pedro, pois, estava guardado na prisão; mas a igreja orava com insistência a Deus por ele" (At. 12.5).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Predestinação X Livre-arbítrio (por Augustus Nicodemus)

Quem puder dar uma olhadinha em outros artigos postados aqui, verão a dualidade teológica que até hoje frita meus miolos: Calvinismo X Arminianismo. Essa resposta de Nicodemus retrata muito bem essa minha dualidade. Tem dias que acordo calvinista e tem outros que acordo arminiano. Mas confesso que fiquei tranquilo ao saber que isso também incomoda o próprio Nicodemus.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Transformação.


Texto produzido para a mensagem na CB Redenção, no dia 19 de Fevereiro de 2012.

“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. (Rm. 12. 2)

Neste texto, eu poderia me deter na frase inicial: “E não vos conformeis a este mundo”. Mas desde ontem, quando meu pai me deu a incumbência de pregar, eu pedi a Deus que me orientasse a respeito do que falar. E a resposta foi: transformação.

Transformação é uma palavra que pode ser aplicada em várias esferas. Poderíamos falar em transformação social, transformação corporal, transformação situacional, transformação de um ambiente... mas gostaria de me deter num tipo de transformação inicial que desencadeia mudanças em outras esferas: a transformação mental. O texto que lemos a pouco, fala do poder de transformação quando renovamos nossas mentes. Já diz o adágio popular que tudo na vida depende da ótica que lançamos sobe um fato. Diante da morte de um ente querido, por exemplo, podemos nos revoltar com Deus, ou podemos nos tranquilizar e simplesmente entender os seus desígnios. Diante de um problema que enfrentamos na vida (quer seja financeiro, de saúde, ou de relacionamento) podemos tão somente desesperar, ou podemos nos apegar a Deus mais firmemente, sabendo que Ele é poderoso para solucionar o que nos aflige. Do contrário também é verdadeiro. Em nossas alegrias, podemos nos esquecer de Deus, ou podemos nos lembrar Dele e convidá-lo a fazer parte da festa. Enfim, tudo (ou quase tudo) na vida depende da ótica que lançamos sobre os fatos que nos ocorrem. Mas uma coisa é certa: quando renovamos nossas mentes, ocorre transformação. Essa transformação faz toda a diferença. Não apenas muda nosso comportamento diante das situações, mas muda a situação em si. Muda o ambiente, muda a percepção das pessoas em relação a nós, transmitimos segurança e paz para aqueles que nos cercam, salvamos uma amizade, deixamos de fazer inimizades, enfim, transforma toda uma situação, e todo um ambiente. O clima ao nosso redor fica mais leve.

Se prestarmos bastante atenção, a bíblia joga a incumbência de transformação a nós. Mas para que possamos alcançar essa transformação, precisamos, inicialmente, fazer uma coisa: não se conformar com este mundo. Se conformar com o mundo significa seguir a lógica dele. Explico melhor: a) se alguém te fizer um mal, o mundo manda devolver na mesma moeda; b) se alguém te odeia, o mundo manda odiá-lo também; c) se alguém te maldiz, o mundo ordena que a maldiga também; d) se alguém te seduz, o mundo manda que não percas a oportunidade. Mas bem sabemos que a lógica de Cristo é totalmente contrária à lógica mundana: a) Cristo orienta-nos abençoar quem nos amaldiçoa; b) Cristo nos orienta amar quem nos odeia; c) Cristo nos orienta bendizer quem nos maldiz; d) Cristo nos manda fugirmos das tentações.
Mas, não se conformar com o mundo vai além disso. Satanás e o mundo trabalham juntos no único intuito de nos desviarmos de Deus. Isto porque, se nos desviarmos de Deus, nunca poderemos experimentar "a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus". E viver neste mundo sem saber a vontade de Deus, é viver perdido, sem rumo, nem direção.

Uma verdadeira transformação vai além do que imaginamos. Sempre costumamos medir as consequências da nossa transformação. Medimos como passaria a ser o formato das nossas relações depois da transformação, mensuramos como a nossa própria natureza seria, e como nos comportaríamos nas mais diversas situações da vida. Mas a verdade, é que a expansão da transformação vai muito além do que imaginamos. Em Efésios 3.20, a palavra de Deus nos diz: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera”. Assim, se pedirmos a Deus transformação, ela será feita de uma forma muito mais ampla, e talvez diferente daquilo que mensuramos. Por isso, ouso dizer que nunca se está plenamente preparado para as mudanças realizadas por Deus.

No dicionário, transformar significa “tornar diferente do que era”. Ora, nós, seres humanos, só nos sentimos confortáveis nas situações em que conhecemos bem. Só sentimos plena segurança quando sabemos bem onde pisamos. Temos a tendência de sermos racionais em absolutamente tudo que fazemos. Foi Deus quem nos fez assim. Porém, quando nos tornamos diferentes do que éramos, não sabemos exatamente as consequências que virão. Ficamos não apenas desconfortáveis, mas inseguros. O simples fato de não sabermos o que virá pela frente, já nos causa uma certa apreensão, e talvez temor. É assim quando mudamos de emprego, é assim quando uma mãe está para ganhar seu primeiro filho, é assim quando nos casamos, e também é assim quando pedimos a Deus uma real transformação. Sinceramente, às vezes, somos tentados a não pedirmos a Deus transformação alguma. A inércia é uma tendência imanentemente humana. - “Para quê mudar? Está bom assim! É só fazer a minha parte e nada sairá dos meus planos!” - pensa o "homem natural".

Ora, este pensamento pode ser normal para os seres humanos comuns, mas não aos incomuns (ou seja, àqueles que tiveram um encontro com Cristo). O próprio fato de vivermos pela fé já mostra que não mais queremos estar na inércia. Geralmente, só optamos viver pela fé quando a situação nos é adversa e quando nos sentimos incompetentes diante da triste situação que vivemos. Bem diferente ocorre quando estamos numa situação confortável. Não queremos que aconteça transformação alguma. Lembro-me bem do livro “Prepare-se Para a Chuva” do Pr. Michael Catt. No início de seu livro, ele narra o fato de que era pastor de uma grande igreja, e que nesta igreja, todos os domingos, havia conversões. Como consequência disso, grande era o número de batismos. Tudo levava a crer que estava na mais perfeita ordem, que a transformação já estava acontecendo. Mas na verdade, aquilo não passava de uma transformação superficial. Vocês querem saber o resultado da profunda transformação na vida daquela igreja? Simplesmente saiu desta igreja os filmes evangelísticos “A Virada” e “Desafiando Gigantes”, onde este último (Desafiando Gigantes) já tocou o coração de mais de um milhão de pessoas em todos os continentes. Filme aclamado pela crítica mundial e considerado o melhor filme cristão de todos os tempos. Mais de 3.000 pessoas por todo o mundo já enviaram e-mails para os produtores do filme dizendo que entregaram suas vidas a Jesus após terem assistido.

Vejam o que acontece quando pedimos a Deus uma verdadeira transformação. Ele nos dará “muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos”. É só não nos conformarmos com o nível espiritual que temos agora. Deus se agrada quando queremos aprofundar nosso conhecimento a respeito Dele (Os. 6. 6); ele também se agrada quando nos quebrantamos diante Dele e buscamos a sua intimidade (2Cr. 7. 14, 15).

Não devemos nos conformar com o nível de espiritualidade que temos hoje, pois isso significa que estamos conformados em ver tantas almas indo ao inferno. A inércia espiritual nos mostra que estamos indiferentes, insensíveis ao clamor da humanidade pela verdadeira salvação. Em suma, isso significa estar conformado com o mundo.

Fomos chamados para vivermos incomodados pela situação que nos cerca. a) O teu melhor amigo não tem salvação e está indo ao inferno, isso não te incomoda? b) Teu marido ainda não está salvo; infelizmente ele vai passar a eternidade no inferno, isso não te incomoda? c) Você sabe muito bem o que acontecerá com a sua esposa que ainda não tem a salvação de Cristo, isto não te incomoda? d) E o que dizer de sua mãe, de seu irmão, de sua irmã, de seu filho, de sua filha? A eternidade deles não te incomoda? Meus amados irmãos, não se conformem! Lembre-se que você foi chamado para se sentir constantemente incomodado, enquanto ao teu redor todos não tiverem sido salvos. Você foi chamado para não se conformar com esta triste situação; você foi chamado para pregar, portanto, PREGUE! Não se preocupe se suas palavras parecerão convincentes, tão somente pregue, pois quem convencerá da necessidade de aceitar a Cristo não serão suas palavras, nem o seu poder de persuasão, mas sim o Espírito Santo de Deus. Lembro-me bem das palavras do Pr. Rogério Scheiddeger, quando no dia 08/05/04 pregou na Igreja Batista 5 de Maio ele falou as seguintes palavras que muito me impactaram: “Seja pregador da palavra, e o Espírito faz o resto”. Ou seja, quem irá transformar a vida daqueles que te ouvirão será o Espírito Santo, pois Dele é o poder, e não seu.

Ao falar em transformação, me vem novamente à memória o fato de quando visitei o Pr. Rogério Sheiddeger, juntamente com o Pr. Marcelo Mateus (da Igreja Episcopal de Recife), em sua casa. Lembro-me muito bem, quando já debilitado pela doença, ele pegou um ornamento de móvel no formato de uma pirâmide, e disse: “Eu estou deste lado da pirâmide, e por isso só posso ver o que acontece deste lado. Enquanto isso, Deus está no topo da pirâmide, vendo tudo o que acontece nos quatro lados da pirâmide, simultaneamente. Eu não sei por que hoje estou assim, nesta condição. Mas Deus sabe!”.

Amados, o mesmo nos ocorre quando somos transformados por Deus. Não sabemos o que nos virá pela frente. Só uma certeza nós temos, e isso nos basta: que aquilo que virá, mesmo que momentaneamente pareça mau aos nosso olhos, é o melhor de Deus para nós. O crente não deve temer a transformação, mesmo que ela nos leve à morte física. Deve-se lembrar o crente, que a morte eterna não tem mais poder sobre nós.

A transformação feita por Deus é completa. Realizar-se-á em todas os lados: interno e externo. Será uma transformação que servirá de testemunho a todos que o cercam. A transformação será feita de uma forma onde todos irão contemplar e desejar ser transformados por Deus. AMÉM!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Fuja do Carnaval


Eu não sei você, mas eu não conheço festa mais carnal e diabólica que o carnaval. Até parece que os portões do inferno se abrem e toda criatura maligna fica à solta, brincando com a humanidade. É sempre a mesma coisa: sexo, bebidas (e muita!), drogas, brigas, músicas indecentes, lares destruídos, relacionamentos rompidos, acidentes de trânsito à beça, enfim... nada, absolutamente nada do carnaval se aproveita. Muitos chegam a gastar até o que não tem para curtir um momento que dura apenas 4 dias.

É incrível a capacidade humana para a autodestruição! Como a Palavra de Deus nos diz, o homem não tem a capacidade para escolher aquilo que é bom. Deve ser por isso que Cristo nos falou: “Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós...” (Jo. 15.16).

Com a queda do homem lá no jardim do Éden, perdeu-se a capacidade de se escolher aquilo que é bom. Por isso mesmo que o profeta Jonas, pelo Espírito de Deus, nos diz: “Ao Senhor pertence a salvação” (Jn. 2.9). Veja: quem salva é o Senhor, e não nós quem nos salvamos! O homem não tem a capacidade, sequer, de se convencer da sua condição pecaminosa. Sabendo disso, Deus incumbiu ao Espírito Santo a seguinte missão (dentre outras): convencer o homem do pecado (Jo. 16. 8).

Por isso, conclamo a igreja para que ore pela salvação daqueles que “brincarão” o carnaval (na verdade, é o carnaval e os espíritos por trás desta festa que brincarão com eles). Ore principalmente pelos nossos familiares não crentes. Mas não apenas ore, pregue também, pois Deus só quer que a gente fale (por palavras e por vida), e a obra de convencer será do Espírito Santo, e não nossa.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Tentei ser um cristão.


“Em toda a minha vida, tentei ser um cristão”.

A frase acima não é de minha autoria, mas de um padre pernambucano, cujo nome não me recordo no momento. Sábias e honestas palavras.
Semanas atrás estive vasculhando alguma coisa interessante na internet, e me deparei com um imbecil que postou um vídeo no youtube. É mais um hunter da fama. Ele critica o natal taxando-o como uma festa hipócrita, onde familiares que nunca lembram de você durante o ano inteiro, ligam, ou mesmo aperecem em sua casa desejando feliz natal e toda sorte do mundo para o ano vindouro. Até aí nada demais. Só falou o óbvio. Mas no meio de tanta imbecilidade, eis uma pérola: “Hoje em dia falar o termo 'cristão hipócrita' chega a ser um pleonasmo”. Ora, convenhamos, é de tirar o chapéu.
Eu sei que Cristo não tem culpa alguma da nossa hipocrisia. Meu Cristo é mais uma vez vítima do que o catolicismo, protestantismo, evangelicalismo e tantos outros “ismos” fizeram com ele. A humanidade achou pouco a crucificação e terminou em multila-lo e desova-lo mundo à fora. Enfim, me diga com toda a sinceridade: Quem realmente consegue ser um cristão autêntico?
1) Quem é que vende os bens e vive em comum com os demais cristãos?
2) Quem é que ama o próximo como si mesmo?
3) Quem é que ama a Deus sobre todas as coisas?
4) Quem é que chora pela dor do próximo?
5) Quem é que adoece a alma motivado pela fome no continente africano?
6) Quem é que faz alguma coisa para acabar com a miséria no mundo?
7) Quem é que está mais interessado em ajudar ao próximo a fazê-lo crescer?
8) Quem é que não se importa em acumular bens (onde a traça e a ferrugem consomem)?
9) Quem é que considera os outros superiores a si mesmo?
10) Quem é que dá o outro lado da face para o agressor?
11) Quem é que ama seus inimigos?
12) Quem é que bendiz àquele que o maldiz?
13) Quem consegue viver em espírito?
14) Quem é que não comete adultério (mesmo que somente no coração)?

Fica a reflexão.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os efeitos simbólicos da morte de Ceci Cunha para os alagoanos.


Da: Profª. Dra. Ruth Vasconcelos - coordenadora do Programa Ufal em Defesa da Vida.

Fonte: http://www.ufal.edu.br/noticias/2011/12/os-efeitos-simbolicos-da-morte-de-ceci-cunha-para-os-alagoanos

Há 13 anos a família de Ceci Cunha foi barbaramente golpeada pela ação do crime organizado no Estado de Alagoas; há 13 anos sua família sofre a dor de uma perda irreparável; há 13 anos, mais uma vez, a democracia em Alagoas foi gravemente ferida, e os 60 mil eleitores que elegeram Ceci Cunha, foram desrespeitados em seu desejo de tê-la como representante na Câmara dos Deputados; há 13 anos nós, alagoanos, convivemos com a impunidade de um crime que se tornou emblemático pela perversidade do feito; há 13 anos, nós que estudamos o tema da violência ficamos perplexos com a brutalidade de um crime que produziu imagens ainda hoje represadas em nossas memórias; há 13 anos, indignamo-nos pela ineficiência, insuficiência, morosidade, para não dizer descaso das instituições que teriam de apresentar à família de Ceci Cunha e à sociedade alagoana o imediato esclarecimento da chacina e a devida punição dos culpados desse crime hediondo que atingiu a honra de todos que defendemos a vida como um bem inalienável. Há 13 anos, experimentamos a sensação de desproteção e desamparo que ampliam a cada dia o sentimento de vulnerabilidade em nós que vivemos no Estado de Alagoas.

Estive presente na missa em celebração da morte de Ceci Cunha e dos familiares que também foram assassinados no fatídico dia 16 de dezembro de 1998, há 13 anos. Como coordenadora do Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA, fiz-me presente, antes de tudo, num gesto de solidariedade à família, mas também para reafirmarmos o compromisso institucional da UFAL de fazer da educação um instrumento de promoção da cidadania e da defesa dos direitos humanos. É um desafio para nós educadores, inscrevermos na formação profissional dos nossos estudantes o compromisso com os valores éticos, humanitários, democráticos que pressupõe assumir uma postura de respeito ao outro como um sujeito de direitos.

Estive presente na missa representando o Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA, mas também na condição de mulher, mãe, filha, irmã, amiga, educadora, enfim, assumindo a minha condição humana. Vivenciei esse momento com imensa tristeza e desolação. Estamos às vésperas do Natal e pensei quantas noites de Natal a família de Ceci viveu amargando a dor da perda e o desamparo produzido pela impunidade. Senti profundamente pelos seus filhos, sua irmã e amigos presentes. Fiquei comovida e chorei pelos filhos de Ceci Cunha que, a despeito de terem perdido sua mãe numa idade em que a presença maternal ainda é tão importante, tiveram a possibilidade de atravessar essa tragédia mantendo a dignidade e a esperança de verem a justiça sendo feita, ainda que tardiamente.

Nessa missa também lembrei as milhares de famílias que perderam seus entes queridos e vivem, assim como a família de Ceci, a tristeza não só da perda, mas também da impunidade. No dia 16 de Janeiro de 2012 está marcado o Júri Popular para finalmente fazermos a justiça nesse caso de Ceci Cunha. É lamentável que tenhamos mantido essa ferida simbólica aberta há 13 anos, sem uma resposta judicial.

Nós, que defendemos a vida, precisamos ficar vigilantes para que não haja mais adiamentos nesse julgamento; e para que todos que um dia ceifaram a vida de alguém, de forma direta ou indireta, não fiquem impunes, pois a impunidade tem um forte efeito de desagregação e desestruturação da sociedade. É preciso dizer que, se a violência produz o efeito de “rompimento da coesão” psíquica e social, a única forma de sua restauração é a punição dos culpados. Como afirma a psicanalista Maria Laurinda de Souza, “O ato de justiça conserta a ruptura da ordem social, confirma a validade da lei e, por conseguinte, a própria ordem legal” (2005, p. 58).

É um perigo para os destinos de uma sociedade quando um crime não tem como resposta a punição; pois, a punição é a condição para que todos reconheçam o código civil e penal como dispositivos legais que garantem a proteção e a regulação social. Sem esses dispositivos não podemos falar em democracia. Então, temos um longo caminho pela frente para que possamos dizer que vivemos, efetivamente, a democracia no Estado de Alagoas. Comecemos fazendo justiça no Caso de Ceci Cunha; mas, paralelo a esse, vamos buscar fazer justiça aos milhares de assassinatos que estão absolutamente impunes em nosso Estado. Esse é um desafio inadiável!