“Total Inexistência do pensamento emancipado da realidade. Realidade intermediada pela linguagem. Linguagem imbuída de símbolos”.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
“Se escravo Teu eu for, verdadeiramente serei livre”.
Somos escravos! Quer você queira acreditar, ou não, todos nós somos. A militância existente entre carne e espírito e vice-versa (Gal. 5.17) é pela nossa escravização. Cada um direciona-nos para lados opostos da vida e, de certa forma, justificará nosso fim. Não são os fins justificando os meios (cf. Maquiavel), mas seu inverso. Nosso viver cotidiano – com bondades e maldades – não determina nosso fim, apenas justifica-os.
O pecado não deve ser entendido como uma atitude isolada, fruto do ocaso, mas como consequência de toda uma conjuntura espiritual, que desemboca no plano material. Conhecemos essa conjuntura assim que abrimos a Bíblia. Logo de início Deus nos mostra o “por quê” de pecarmos. E a prova fica mais evidente quando Ele destrói toda a humanidade (com a exceção de Noé e seus familiares) e, mesmo assim, a natureza caída e corrompida do homem se manifesta. Em detrimento ao restante da humanidade, Nóe era visto como justo por Deus. Tenho plena certeza que Deus não o teria como justo se ele vivesse de forma egoísta, não ensinando seu estilo de vida aos seus filhos. Isso nos dá substrato para conjeturarmos que Nóe e seus filhos tinham um estilo de vida mais “santificado” (separado) que os demais humanos de sua geração. Num pensamento franciscano, tudo levava a crer que o pecado (ou mesmo seu excesso) seria extirpado junto com o dilúvio, e que, com uma geração mais “santificada”, os novos preceitos comportamentais seriam ensinados de geração a geração. Mas isso não aconteceu. E por quê? Porque o pecado não é fruto de uma cultura, de valores e princípios hegemônicos de uma nação, mas de nossa natureza caída e corrompida. Isso, por si só, já explicaria o “por quê” da deturpação moral de muitos valores culturais que temos em nosso mundo – independente do grau de desenvolvimento. Esse “gene espiritual” está preso à carne. Ou melhor, é constituinte da carne. Faz-me lembrar de Karl Marx, quando o mesmo, influenciado pelos ideais filosóficos de Feuerbach, disse: “o espírito está prenhe da matéria”. Lembro-me também do Apóstolo Paulo, quando nos diz:
“De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm. 7. 17-20, 24).
Evidencia-se que Paulo não atribui o seu pecado aos ensinos culturais, mas à sua própria natureza humana. Ele reconhece a militância existente entre espírito e carne pela escravização do seu “eu”.
Embora pareçam três pessoas distintas (o “eu”, a carne, e o espírito), mas tratamos, de fato, de apenas duas: pois o eu e a carne são um. Não se pode desvencilhá-los. Sem ter a pretensão de querer corrigir Marx e Feuerbach, mas não creio que seja o espírito prenhe da matéria, mas sim a consciência. Esta sim (a consciência entendida como o nosso eu) não pode existir se não houver materialidade, expressividade, enfim, existência. O pecado não existiria se não houvesse quem o praticasse. Assim como não conheceríamos o amor se ele não fosse manifestado por Deus – muito embora, mesmo que Deus não o tivesse manifestado, o amor continuaria a existir, pois Deus é amor (1 Jo. 4. 8); apenas não chegaria ao nosso conhecimento.
Não podemos entender essa militância entre espírito e carne no sentido de guerra, pois o conceito de guerra, por si só, dá a entender uma equiparação entre forças, algo que absolutamente não existe entre a débil carne e a irresistível força do Espírito Santo. Mas militância existe, pois é da própria natureza do pecado ser audacioso. A mesma audácia que Lúcifer teve em querer se igualar a Deus.
Na vida de um ser em processo de regeneração – enquanto estivermos no mundo não podemos dizer nunca que já somos totalmente regenerados – o pecado ganha forças pelo simples fato da inclinação da carne ser para a morte e para a inimizade contra Deus (Rm. 8. 6, 7). Ou seja, o pecado se utiliza de uma inclinação natural para ganhar forças. Do contrário, força alguma ela teria. É com esta força conjunta que o pecado milita contra o espírito. Por isso que o pecado ganha significância no que tange à separação do homem de Deus – seu objetivo, vale ressaltar. Mas é com esta força que o pecado, também, escraviza o homem.
No entanto, liberdade nos é oferecida por Cristo (Jo. 8. 36). Porém, não podemos entender “liberdade” nos moldes secular, ou seja, “de fazer o que quer, no momento que quiser”; até porque este conceito secular vai de encontro aos valores e regras (leis) sociais vigentes. Esta nova liberdade que nos é oferecida por Cristo teve a intenção de nos libertar do poder da escravidão das trevas para nos escravizar à luz. Novamente o Apóstolo Paulo vem contribuir ao nos dizer: “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm. 6. 18). Enfim, houve apenas uma substituição de Senhores.
Isso me faz concluir que o Ser humano é fadado à escravidão. Se não regenerado: escravo do pecado; se em processo de regeneração: escravo da justiça.
Que o meu Deus, o meu Senhor Jesus Cristo seja sempre glorificado pela liberdade que me escraviza. Assim como um senhor comprava escravos para lhe servir, tenho consciência que fui comprado (redimido) por Seu sangue. Como bem disse o poeta Luiz de Camões em seu sonêto 11: “É querer estar preso por vontade...”. Eu quero sempre estar preso a esse Senhor que com muito amor me libertou... ou melhor, escravizou, por amor de Seu Nome! “Se escravo Teu eu for, verdadeiramente serei livre”.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Em Defesa da CENSURA!

Por: Solano Portela*
Fonte: www.tempora-mores.blogspot.com
As aberrações televisivas recentes, no programa Global Big Brother – com a devassa da intimidade e a devassidão invadindo a intimidade dos lares, bem como as baixarias costumeiras de outros programas de nível sub rasteiro (como os liderados por Luciana Gimenez, Ratinho, pela “turma do Pânico na TV”, etc.), acordaram várias vozes de protesto. Tivemos condenações advindas do mundo evangélico, bem como de alguns segmentos católicos (vide o pronunciamento do Bispo Dom Henrique Soares, repercutido em vários blogs). Até a imprensa secular, talvez hipocritamente, mas talvez movida pelos últimos resquícios de um sentimento de autopreservação da sociedade, objetou ao estado de amoralidade no qual nos encontramos. Tudo isso levanta, novamente, o debate sobre a pertinência da censura.
Como cristãos, o que podemos dizer da censura? Qual deve ser nossa posição perante esse fantasma, sempre contraposto à “liberdade de expressão”? A visão generalizada é a de que censura significa repressão, perda de liberdade. Nesse pensamento, qualquer coisa, qualquer tema, por mais amoral ou destrutivo que seja à sociedade pode ser impresso e divulgado e ai de quem ouse afirmar que deveriam existir controles e proteção a segmentos dessa mesma sociedade. Sob a bandeira da liberdade política, de ação, ou de expressão, preserva-se a liberdade da disseminação da promiscuidade e de toda queda de princípios morais universalmente reconhecidos – aqueles que procedem e foram estabelecidos pelo próprio Deus, quer de forma objetiva e propositiva nas Escrituras (Sl 119.4, 142 e 128), quer aqueles impressos nas mentes das pessoas – naquilo que chamamos de consciência (Ro 2.14-15) – por terem sido criadas à imagem e semelhança de Deus.
Na realidade, o que acontece quando o tema da censura é debatido é que estamos sendo constantemente bombardeados com pelo menos duas falácias pelos meios de comunicação e terminamos absorvendo conceitos que não se sustentam, nem encontram abrigo na visão cristã de mundo. São eles:
1. “Cada um de nós decide o que é bom, válido e correto para nossa pessoa e família”. Consequentemente, qualquer forma de censura é errada, pois temos de nos expor a tudo para então tirarmos nossas próprias conclusões.
2. “Não temos o direito de impingir nossas conclusões ao próximo”. Consequentemente, todas as coisas são permissíveis nos meios de comunicação, para reservar a "liberdade de expressão".
Essas afirmações são enganosas, porque são “meias verdades”. Nas questões não morais, o cristão poderia até aceitar esse raciocínio (exemplo: o que comer, conforme o desenvolvimento e diretrizes de Paulo sobre esses assuntos em Romanos 14 e 15), mas na realidade não é o homem, mas a Bíblia que estabelece os padrões morais de Deus; a distinção entre o certo e o errado.O Salmo 19.7-9 nos mostra a realidade e a excelência da Lei de Deus. É verdade que temos no meio dos cristãos toda uma geração enfraquecida pela falta de entendimento e rejeição dessa Lei, mas a Palavra de Deus constantemente nos alerta para que não sejamos enganados. Ela diz:
Não vos enganeis...
1 Coríntios 6.9,10: “... nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus”. Vejam que enquadram-se nessa condenação não somente o conteúdo da maioria dos programas de televisão, que invadem os nossos lares, como também vários de seus autores – principalmente das novelas. Notem a constância com que elas impingem personagens travestidos, grotescamente procurando passar a ideia de que isso é algo não somente presente na sociedade, mas também uma postura natural e desejável.
1 Coríntios 15.33: “as más conversações corrompem os bons costumes”. A palavra traduzida por "conversações" é a palavra grega homilia e significa, também, companhias, associações e comunicações, discursos. Vemos, portanto, o papel crucial da má comunicação na dissolução dos costumes.
Se dizemos que aceitamos a Bíblia como normativa e fonte mestre de comportamento, temos que nos curvar às seguintes conclusões:
1. Tudo que é contrário à Lei Moral de Deus deve ser rejeitado. Compete também aos Cristãos defenderem o ponto de vista de que esta rejeição deve fazer parte da estrutura básica da sociedade em que vivemos. Temos obrigação de proclamar este princípio, de denunciar imoralidades onde estas estão presentes (Sl 119.53 e 136). Democracia não significa subjetivismo na formação de leis, mas uma forma administrativa de nos regermos dentro da Lei.
2. Temos, assim, que ser a favor de algum tipo de censura, na medida em que esta venha a expressar o cumprimento da lei moral de Deus – no seu aspecto horizontal do relacionamentos e limites necessários ao convívio social e aos direitos dos semelhantes. Temos, também, que ser contra a censura, na medida em que a censura se desviar desta linha e procurar apenas promover os pontos de vista não morais, sociais, ou políticos dos homens.
3. Não podemos aceitar o falso argumento de que se não quisermos dar ouvidos ou atenção a qualquer tipo objetável de comunicação basta não sintonizar ou não ler. Numa sociedade sem limites ou controles, somos agredidos diariamente no nosso caminhar ou em nossos lares. São bancas de revistas com a imoralidade explicitamente escancarada; outdoors ofensivos que atingem velhos e crianças sem distinção; inferninhos e casas de prostituição que abrem as portas em qualquer lugar e funcionam sem serem incomodadas sob as vistas cegas ou convenientemente embaçadas no embalo do propinoduto brasileiro; são vizinhanças que vão se deteriorando com a exposição total e agressiva de carne humana, no mercado de corpos vivos.
A censura e o estabelecimento de limites nessas áreas representam tão somente uma extensão lógica da auto-preservação de uma sociedade que cuida de si mesma. Os padrões para esse tipo de censura têm de estar enraizados não no subjetivismo dos censores (pessoas falíveis), mas na Lei Objetiva da Terra, que deve, por sua vez, refletir a Lei de Deus.
Muitos têm usado a diretriz bíblica de examinar tudo (1 Ts 5.21-23) como desculpa para receber e abrigar toda sorte de impurezas pelos meios de comunicação, em uma espécie de vale-tudo amoral. Ocorre que este texto bíblico não nos leva a uma exposição indevida a todo o tipo de lixo. Pelo contrário, ele nos direciona a confrontar as coisas que se atravessam à nossa frente e a rejeitar o que é impróprio, inadequado ou prejudicial. Não precisamos comer uma comida estragada para saber que ela não presta, pelo cheiro podemos conhecer o que é mau ou está estragado. Além disso, a própria continuidade do texto mostra a necessidade de fugir da aparência do mal. Não podemos, pois, estar envolvidos com o mal, sob o pretexto de estarmos examinando a questão.
Sou, portanto, defensor de algum tipo de censura que poupe os nossos filhos e as nossas famílias, hoje prisioneiras de uma sociedade amoral e insolente. Elas precisam ser poupadas do estímulo à sexualidade precoce; do mau gosto das relações sexuais diárias trazidas pelas novelas à mesa de jantar; dos anúncios que se intrometem em programas, selecionados pelo suposto conteúdo de mérito, trazendo o sexo e inversões sexuais agressivas como arma de venda; e de tantas outras situações que apelam aos sentimentos mais rasteiros e egoístas da natureza humana. Esta sociedade se preocupa muito em preservar supostas “liberdades”, mas se autodestrói (Pv 5.22-23) esquecendo as pessoas que a compõem e os valores que realmente precisam ser protegidos.
* Solano Portela é Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil, membro da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo, graduado em Ciências Exatas, fez o mestrado no Biblical Theological Seminary (EUA, 1974). Solano Portela, além de suas atividades no campo empresarial, em São Paulo, é escritor, tradutor e conferencista. Tem tratado de temas da atualidade à luz da Teologia Reformada do século XVI, com fidelidade à Palavra de Deus.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Se ficar o bixo come, se ficar o bixo pega...

Pequeno artigo escrito pelo pastor Augustus Nicodemus, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com/search?updated-max=2012-02-24T20:02:00-02:00&max-results=5
O ateísmo fundamentalista e o avanço dos muçulmanos são ameaças à Igreja de Cristo. Na verdade, sempre foram, na longa história da Igreja Cristã. E cada geração precisa se preparar para encarar estes desafios antigos.
Mas o neopentecostalismo que se mistura com cultos afro, misticismo, paganismo, mercado religioso e promove a teologia da prosperidade me parece ser, no momento, um desafio muito maior para a Igreja brasileira, pois vem de dentro, passa uma imagem distorcida dos evangélicos para a sociedade, rouba nosso vocabulário, nossa Bíblia, nossa liturgia e nossos membros.
Pastor Yousef Nadarkhani
Não podemos apenas admirar este homem de Deus. Temos que orar pela sua libertação, assim como os crentes narrados no livro de Atos fizeram com o apóstolo Pedro: "Pedro, pois, estava guardado na prisão; mas a igreja orava com insistência a Deus por ele" (At. 12.5).
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Predestinação X Livre-arbítrio (por Augustus Nicodemus)
Quem puder dar uma olhadinha em outros artigos postados aqui, verão a dualidade teológica que até hoje frita meus miolos: Calvinismo X Arminianismo. Essa resposta de Nicodemus retrata muito bem essa minha dualidade. Tem dias que acordo calvinista e tem outros que acordo arminiano. Mas confesso que fiquei tranquilo ao saber que isso também incomoda o próprio Nicodemus.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Transformação.

Texto produzido para a mensagem na CB Redenção, no dia 19 de Fevereiro de 2012.
“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. (Rm. 12. 2)
Neste texto, eu poderia me deter na frase inicial: “E não vos conformeis a este mundo”. Mas desde ontem, quando meu pai me deu a incumbência de pregar, eu pedi a Deus que me orientasse a respeito do que falar. E a resposta foi: transformação.
Transformação é uma palavra que pode ser aplicada em várias esferas. Poderíamos falar em transformação social, transformação corporal, transformação situacional, transformação de um ambiente... mas gostaria de me deter num tipo de transformação inicial que desencadeia mudanças em outras esferas: a transformação mental. O texto que lemos a pouco, fala do poder de transformação quando renovamos nossas mentes. Já diz o adágio popular que tudo na vida depende da ótica que lançamos sobe um fato. Diante da morte de um ente querido, por exemplo, podemos nos revoltar com Deus, ou podemos nos tranquilizar e simplesmente entender os seus desígnios. Diante de um problema que enfrentamos na vida (quer seja financeiro, de saúde, ou de relacionamento) podemos tão somente desesperar, ou podemos nos apegar a Deus mais firmemente, sabendo que Ele é poderoso para solucionar o que nos aflige. Do contrário também é verdadeiro. Em nossas alegrias, podemos nos esquecer de Deus, ou podemos nos lembrar Dele e convidá-lo a fazer parte da festa. Enfim, tudo (ou quase tudo) na vida depende da ótica que lançamos sobre os fatos que nos ocorrem. Mas uma coisa é certa: quando renovamos nossas mentes, ocorre transformação. Essa transformação faz toda a diferença. Não apenas muda nosso comportamento diante das situações, mas muda a situação em si. Muda o ambiente, muda a percepção das pessoas em relação a nós, transmitimos segurança e paz para aqueles que nos cercam, salvamos uma amizade, deixamos de fazer inimizades, enfim, transforma toda uma situação, e todo um ambiente. O clima ao nosso redor fica mais leve.
Se prestarmos bastante atenção, a bíblia joga a incumbência de transformação a nós. Mas para que possamos alcançar essa transformação, precisamos, inicialmente, fazer uma coisa: não se conformar com este mundo. Se conformar com o mundo significa seguir a lógica dele. Explico melhor: a) se alguém te fizer um mal, o mundo manda devolver na mesma moeda; b) se alguém te odeia, o mundo manda odiá-lo também; c) se alguém te maldiz, o mundo ordena que a maldiga também; d) se alguém te seduz, o mundo manda que não percas a oportunidade. Mas bem sabemos que a lógica de Cristo é totalmente contrária à lógica mundana: a) Cristo orienta-nos abençoar quem nos amaldiçoa; b) Cristo nos orienta amar quem nos odeia; c) Cristo nos orienta bendizer quem nos maldiz; d) Cristo nos manda fugirmos das tentações.
Mas, não se conformar com o mundo vai além disso. Satanás e o mundo trabalham juntos no único intuito de nos desviarmos de Deus. Isto porque, se nos desviarmos de Deus, nunca poderemos experimentar "a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus". E viver neste mundo sem saber a vontade de Deus, é viver perdido, sem rumo, nem direção.
Uma verdadeira transformação vai além do que imaginamos. Sempre costumamos medir as consequências da nossa transformação. Medimos como passaria a ser o formato das nossas relações depois da transformação, mensuramos como a nossa própria natureza seria, e como nos comportaríamos nas mais diversas situações da vida. Mas a verdade, é que a expansão da transformação vai muito além do que imaginamos. Em Efésios 3.20, a palavra de Deus nos diz: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera”. Assim, se pedirmos a Deus transformação, ela será feita de uma forma muito mais ampla, e talvez diferente daquilo que mensuramos. Por isso, ouso dizer que nunca se está plenamente preparado para as mudanças realizadas por Deus.
No dicionário, transformar significa “tornar diferente do que era”. Ora, nós, seres humanos, só nos sentimos confortáveis nas situações em que conhecemos bem. Só sentimos plena segurança quando sabemos bem onde pisamos. Temos a tendência de sermos racionais em absolutamente tudo que fazemos. Foi Deus quem nos fez assim. Porém, quando nos tornamos diferentes do que éramos, não sabemos exatamente as consequências que virão. Ficamos não apenas desconfortáveis, mas inseguros. O simples fato de não sabermos o que virá pela frente, já nos causa uma certa apreensão, e talvez temor. É assim quando mudamos de emprego, é assim quando uma mãe está para ganhar seu primeiro filho, é assim quando nos casamos, e também é assim quando pedimos a Deus uma real transformação. Sinceramente, às vezes, somos tentados a não pedirmos a Deus transformação alguma. A inércia é uma tendência imanentemente humana. - “Para quê mudar? Está bom assim! É só fazer a minha parte e nada sairá dos meus planos!” - pensa o "homem natural".
Ora, este pensamento pode ser normal para os seres humanos comuns, mas não aos incomuns (ou seja, àqueles que tiveram um encontro com Cristo). O próprio fato de vivermos pela fé já mostra que não mais queremos estar na inércia. Geralmente, só optamos viver pela fé quando a situação nos é adversa e quando nos sentimos incompetentes diante da triste situação que vivemos. Bem diferente ocorre quando estamos numa situação confortável. Não queremos que aconteça transformação alguma. Lembro-me bem do livro “Prepare-se Para a Chuva” do Pr. Michael Catt. No início de seu livro, ele narra o fato de que era pastor de uma grande igreja, e que nesta igreja, todos os domingos, havia conversões. Como consequência disso, grande era o número de batismos. Tudo levava a crer que estava na mais perfeita ordem, que a transformação já estava acontecendo. Mas na verdade, aquilo não passava de uma transformação superficial. Vocês querem saber o resultado da profunda transformação na vida daquela igreja? Simplesmente saiu desta igreja os filmes evangelísticos “A Virada” e “Desafiando Gigantes”, onde este último (Desafiando Gigantes) já tocou o coração de mais de um milhão de pessoas em todos os continentes. Filme aclamado pela crítica mundial e considerado o melhor filme cristão de todos os tempos. Mais de 3.000 pessoas por todo o mundo já enviaram e-mails para os produtores do filme dizendo que entregaram suas vidas a Jesus após terem assistido.
Vejam o que acontece quando pedimos a Deus uma verdadeira transformação. Ele nos dará “muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos”. É só não nos conformarmos com o nível espiritual que temos agora. Deus se agrada quando queremos aprofundar nosso conhecimento a respeito Dele (Os. 6. 6); ele também se agrada quando nos quebrantamos diante Dele e buscamos a sua intimidade (2Cr. 7. 14, 15).
Não devemos nos conformar com o nível de espiritualidade que temos hoje, pois isso significa que estamos conformados em ver tantas almas indo ao inferno. A inércia espiritual nos mostra que estamos indiferentes, insensíveis ao clamor da humanidade pela verdadeira salvação. Em suma, isso significa estar conformado com o mundo.
Fomos chamados para vivermos incomodados pela situação que nos cerca. a) O teu melhor amigo não tem salvação e está indo ao inferno, isso não te incomoda? b) Teu marido ainda não está salvo; infelizmente ele vai passar a eternidade no inferno, isso não te incomoda? c) Você sabe muito bem o que acontecerá com a sua esposa que ainda não tem a salvação de Cristo, isto não te incomoda? d) E o que dizer de sua mãe, de seu irmão, de sua irmã, de seu filho, de sua filha? A eternidade deles não te incomoda? Meus amados irmãos, não se conformem! Lembre-se que você foi chamado para se sentir constantemente incomodado, enquanto ao teu redor todos não tiverem sido salvos. Você foi chamado para não se conformar com esta triste situação; você foi chamado para pregar, portanto, PREGUE! Não se preocupe se suas palavras parecerão convincentes, tão somente pregue, pois quem convencerá da necessidade de aceitar a Cristo não serão suas palavras, nem o seu poder de persuasão, mas sim o Espírito Santo de Deus. Lembro-me bem das palavras do Pr. Rogério Scheiddeger, quando no dia 08/05/04 pregou na Igreja Batista 5 de Maio ele falou as seguintes palavras que muito me impactaram: “Seja pregador da palavra, e o Espírito faz o resto”. Ou seja, quem irá transformar a vida daqueles que te ouvirão será o Espírito Santo, pois Dele é o poder, e não seu.
Ao falar em transformação, me vem novamente à memória o fato de quando visitei o Pr. Rogério Sheiddeger, juntamente com o Pr. Marcelo Mateus (da Igreja Episcopal de Recife), em sua casa. Lembro-me muito bem, quando já debilitado pela doença, ele pegou um ornamento de móvel no formato de uma pirâmide, e disse: “Eu estou deste lado da pirâmide, e por isso só posso ver o que acontece deste lado. Enquanto isso, Deus está no topo da pirâmide, vendo tudo o que acontece nos quatro lados da pirâmide, simultaneamente. Eu não sei por que hoje estou assim, nesta condição. Mas Deus sabe!”.
Amados, o mesmo nos ocorre quando somos transformados por Deus. Não sabemos o que nos virá pela frente. Só uma certeza nós temos, e isso nos basta: que aquilo que virá, mesmo que momentaneamente pareça mau aos nosso olhos, é o melhor de Deus para nós. O crente não deve temer a transformação, mesmo que ela nos leve à morte física. Deve-se lembrar o crente, que a morte eterna não tem mais poder sobre nós.
A transformação feita por Deus é completa. Realizar-se-á em todas os lados: interno e externo. Será uma transformação que servirá de testemunho a todos que o cercam. A transformação será feita de uma forma onde todos irão contemplar e desejar ser transformados por Deus. AMÉM!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Fuja do Carnaval

Eu não sei você, mas eu não conheço festa mais carnal e diabólica que o carnaval. Até parece que os portões do inferno se abrem e toda criatura maligna fica à solta, brincando com a humanidade. É sempre a mesma coisa: sexo, bebidas (e muita!), drogas, brigas, músicas indecentes, lares destruídos, relacionamentos rompidos, acidentes de trânsito à beça, enfim... nada, absolutamente nada do carnaval se aproveita. Muitos chegam a gastar até o que não tem para curtir um momento que dura apenas 4 dias.
É incrível a capacidade humana para a autodestruição! Como a Palavra de Deus nos diz, o homem não tem a capacidade para escolher aquilo que é bom. Deve ser por isso que Cristo nos falou: “Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós...” (Jo. 15.16).
Com a queda do homem lá no jardim do Éden, perdeu-se a capacidade de se escolher aquilo que é bom. Por isso mesmo que o profeta Jonas, pelo Espírito de Deus, nos diz: “Ao Senhor pertence a salvação” (Jn. 2.9). Veja: quem salva é o Senhor, e não nós quem nos salvamos! O homem não tem a capacidade, sequer, de se convencer da sua condição pecaminosa. Sabendo disso, Deus incumbiu ao Espírito Santo a seguinte missão (dentre outras): convencer o homem do pecado (Jo. 16. 8).
Por isso, conclamo a igreja para que ore pela salvação daqueles que “brincarão” o carnaval (na verdade, é o carnaval e os espíritos por trás desta festa que brincarão com eles). Ore principalmente pelos nossos familiares não crentes. Mas não apenas ore, pregue também, pois Deus só quer que a gente fale (por palavras e por vida), e a obra de convencer será do Espírito Santo, e não nossa.
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